Crise mostra que Brasil precisa repensar o alto grau de dependência da China

Crise mostra que Brasil precisa repensar o alto grau de dependência da China

Do ponto de vista do Brasil, o que fica como lição é o grau de dependência profunda e crônica à China e a alguns produtos chineses como soja e minério de ferro, cada um com cerca de 21 bilhões do dólares.

Hoje tende a ser mais tranquilo nos mercados após o dia agitado de ontem, com as bolsas globais caindo muito por conta da incerteza da situação da incorporadora Evergrande. O medo era se instalar uma crise sistêmica, já que a empresa é grande, diversificada e deve muito aos bancos chineses, que são estatais.

Havia uma aposta de que a China não deixaria o banco quebrar. Poderia punir o controlador da empresa, que tem 70% do capital, e fazer uma operação qualquer para oferecer liquidez aos bancos ou cobrir os efeitos secundários para evitar que a crise se propague. É a ironia: o capitalismo global apostando no estatismo intervencionista chinês para salvar a lavoura. Até quinta-feira vai continuar esta incerteza, que é quando a Evergrande tem que pagar suas dívidas após dizer ontem que não tinha como honrá-las.

Do ponto de vista do Brasil, o que fica como lição é o grau de dependência profunda e crônica à China e a alguns produtos chineses como soja e minério de ferro, cada um com cerca de 21 bilhões do dólares. O país exporta 64 bilhões de dólares/ano para China, bem distante do segundo lugar, R$ 20 bilhões para os Estados Unidos. Em terceiro, vem a Argentina com 7 bilhões de dólares. Além de ser o país que mais importamos, 29 bilhões de dólares, precisamos da China para tudo. É o maior investidor e, muitas vezes, único que se apresenta quando todo mundo se afasta do Brasil.

Uma crise na China afeta o mundo inteiro, porque é a segunda maior economia do mundo. As cadeias globais passam pela China. O mundo inteiro depende da China, mas temos que pensar num futuro menos dependente e com uma economia mais diversificada para evitar esta situação.

Entenda: Como a Evergrande, gigante imobiliária que tem de carro elétrico a time de futebol, virou uma dor de cabeça para a China?
Neste caso da Evergrande, muitos se recordam do caso do banco de investimento Lehman Brothers em 2008, nos Estados Unidos. Mas é importante lembrar que o Tesouro americano deixou o banco quebrar. Logo em seguida, salvou várias empresas como a AIG, Citibank e Merrill Lynch, que receberam dinheiro na mão. No final das contas, na situação das bolhas financeiras, o dinheiro do contribuinte acaba salvando o capitalismo. Mesmo na economia mais capitalista do mundo, o papai Estado que salva na hora da dificuldade.

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