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Crise da Argentina já preocupa montadoras no Brasil

Crise da Argentina já preocupa montadoras no Brasil

Os problemas que começam a surgir na economia da Argentina por decisões do governo para conter a inflação, podem prejudicar a indústria brasileira. O mercado argentino é o destino de 75% das exportações de veículos fabricados no Brasil.

Os problemas que começam a surgir na economia da Argentina por decisões do governo para conter a inflação, podem prejudicar a indústria brasileira. O mercado argentino é o destino de 75% das exportações de veículos fabricados no Brasil.

A Argentina sempre foi o principal mercado de exportação da indústria automobilística no Brasil. A fatia das vendas para o país vizinho aumentou ainda mais com queda de demanda do México.

A recente desvalorização do peso frente ao dólar e a elevação da taxa básica de juros preocupam o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antônio Megale. Mas, ao mesmo tempo, o dirigente defende as medidas tomadas pelo governo de Maurício Macri. `Qualquer medida de combate à inflação é fundamental`, destacou ontem.

Segundo ele, o mercado argentino seguia bem, com previsão de 1 milhão de unidades este ano. Segundo Megale, até agora não houve cortes de encomendas. `Estamos atentos, mas ainda é cedo para prever mudanças`. Por outro lado, a recuperação do mercado brasileiro ajudará os argentinos a compensar, com as exportações para o Brasil, problemas que possam enfrentar em seu mercado.

O aumento da demanda do lado brasileiro ajudará as montadoras a equilibrarem a balança comercial. Por força do acordo automotivo do Mercosul, o Brasil só pode exportar o equivalente a US$ 1,5 para cada US$ 1 gasto na importação de veículos da Argentina. Segundo a Anfavea, no acumulado do ano o chamado `flex` alcançou US$ 2,7. Agora caiu para US$ 2.

Abril foi o segundo melhor mês da história em exportações de veículos, sendo ultrapassado pelo mês anterior. Foram embarcados 73,1 mil veículos, alta de 19,5% em relação a abril de 2017. As vendas externas representaram receita de US$ 1,4 bilhão, avanço de 36,8% na comparação anual. No acumulado do ano, a receita com exportações somaram US$ 4,6 bilhões, alta de 20,9% em comparaçao com o primeiro quadrimestre de 2017.

A exportação ajudou a puxar o ritmo de produção, que cresceu 40,4%, num total de 266,1 mil unidades. Abril foi o 18-mês consecutivo de crescimento nas linhas de montagem. No acumulado do ano, a produção total de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus somou 965,8 mil unidades, o que representou crescimento de 20,7% em relação ao total dos primeiros quatro meses de 2017.

A demanda interna também ajudou. Com 217,3 mil unidades, em abril foi registrado o melhor mês em vendas de veículos desde dezembro de 2015.0 volume foi 38,5% maior do que no mesmo mês do ano passado. O acumulado no ano 762,8 mil unidades ficou 21,3% acima do total dos primeiros quatro meses de 2017.

O estoque, de 230 mil veículos, manteve-se estável. Eqüivale a 32 dias de vendas no mercado interno, o que está em linha com o que as montadoras consideram ideal. O presidente da Anfavea, destacou, porém, que, apesar da recuperação, o ritmo de vendas ainda não alcançou a média dos últimos dez anos, que está em 951 mil veículos vendidos nos primeiros quadrimestres.

O aumento do nível de emprego na indústria automobilística segue ritmo bem mais lento do que o da produção. O número de funcionários nas fábricas de veículos totaliza hoje 112,8 mil pessoas, o que representa um aumento de 4,3% em comparação com o quadro efetivo de um ano atrás. `Estamos em ritmo de conta-gotas`, disse Megale.

Apesar da retomada, parte do efetivo continua afastado ou em programa de jornada reduzida. Total de 1,6 mil trabalhadores estão envolvidos em dois programas `layoff` (suspensão temporária) e o Programa Seguro-Emprego, que permite redução da jornada.

Ao ser questionado sobre o novo programa automotivo, o Rota 2030, cujo anúncio vem sendo protelado pelo governo federal, em tom de brincadeira Megale disse: `Não vou mais falar em datas; errei todas as que já dei`.

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