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Crise argentina faz Volkswagen reduzir ritmo

Crise argentina faz Volkswagen reduzir ritmo

A crise na Argentina começa a provocar redução nos volumes de produção de veículos no Brasil e obriga as empresas a fazer ajustes.

A mais afetada é a Volkswagen, maior exportadora de veículos do país. Na segunda-feira, parte dos empregados da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) entrará em férias coletivas. A queda de demanda no país vizinho interromperá um ciclo de crescimento das exportações da indústria automobilística, que começou em 2015. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) anunciou ontem novas projeções para 2018, que indicam agora uma retração de 8,6% no volume de exportações na comparação com 2017. Isso significa que o mercado externo absorverá 700 mil veículos este ano, 100 mil menos do que indicavam as projeções do início do ano.

Segundo dados da Adetà, a associação que representa as montadoras na Argentina, as vendas de veiados no país caíram 44,1% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. A retração provocou impacto imediato na produção brasileira. Segundo a Anfavea, em setembro, foram produzidos no Brasil 223,1 mil veículos, o que representou uma retração de 6,3% na comparação com o mesmo mês de 2017. O tamanho do impacto da crise aigentina nas fábricas brasileiras revela o quanto a indústria automobilística ainda depende de um único mercado para exportar. Até aqui a participação da Argentina nas vendas externas do setor oscilava entre 70% e 75%. Com a crise, em setembro a fatia caiu para 50%, segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale. As vendas para o México, segundo maior mercado, não têm ajudado a compensar.

Com as férias de parte do efetivo, a partir de segunda-feira, a fábrica da Volks no ABC, funcionará em dois turnos, um a menos do que vinha operando desde novembro. A montadora em feito revezamento de férias para manter a produção em dois turnos. A primeira turma saiu em agosto. A Volks é a primeira afetada porque 35% da sua produção é destinada ao mercado externo. A montadora alemã é responsável por cerca de 20% das exportações de veículos do país que, em 2017 geraram receita de US$ 12,8 bilhões. Além das férias na Volks, as empresas têm recorrido ao `layoff`, que prevê suspensão temporária do contrato de trabalho. Total de 827 operários do setor permaneceram afastados do trabalho em setembro. `Mas não vemos risco em termos de emprego`, disse Megale. O nível de emprego cresceu 3,3% nessa indústria em setembro em relação a um ano atrás.

O impacto da crise argentina tem sido, entretanto, compensado, pelo mercado interno, que tem surpreendido os fabricantes de veículos. O persistente crescimento da demanda por carros e caminhões nas últimas semanas levou a Anfavea a elevar a expectativa de crescimento de mercado interno este ano de 11,7% para 13,7% na comparação com 2017, o que somará 2,54 milhões de unidades. `O mercado parece indiferente à volatilidade política`, destacou Megale. Em setembro, as vendas internas aumentaram 7,1% em comparação com o mesmo mês do ano passado, num total de 213,3 mil unidades. O avanço no acumulado do ano alcançou 14%, com 1,84 milhão de veículos. Para Megale, a facilidade no financiamento, com redução das taxas de juros, tem estimulado o consumidora trocar o carro.

Segundo ele, a média diária de licenciamentos em setembro, em torno de 11,2 mil unidades, foi a melhor desde janeiro de 2015. O segmento de caminhões também continua a se destacar, principalmente por conta da demanda pelos modelos pesados, os mais usados para o transporte de grãos. A quantidade de caminhões vendidos de janeiro a setembro 52,7 mil unidades já superou as vendas em todo o ano passado. A forte demanda interna não conseguirá, porém, compensar totalmente a retração no mercado externo. A previsão de aumento de produção da Anfavea para 2018 caiu de 11,9% para 11,1%, com 3,0 milhões de veículos.

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