Corte da TEC afeta desempenho da indústria de transformação, diz Ipea

Corte da TEC afeta desempenho da indústria de transformação, diz Ipea

Além da queda de produção em parte do setor, haveria reforço das commodities agrícolas e minerais, aponta estudo

Um corte unilateral da Tarifa Externa Comum (TEC), aplicada de forma conjunta pelos países do Mercosul, levaria à queda de produção na maioria dos setores da indústria de transformação e ao aumento da especialização produtiva, tanto no Brasil quanto na Argentina, com um reforço das commodities agrícolas e minerais.

A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em um estudo preliminar que avalia a integração econômica entre os dois países e estima os efeitos de uma redução da tarifa.

No caso de um corte próximo de 50% da TEC, como era o desejo inicial do ministro Paulo Guedes (Economia) e sua equipe, haveria alta das exportações e das importações, mas deterioração nos termos de troca: o saldo comercial teria perda líquida de US$ 11 bilhões no Brasil e US 1,2 bilhão na Argentina - considerando a variação acumulada até 2025. O PIB cresceria 0,32% no Brasil e 0,18% na Argentina. O investimento, respectivamente, aumentaria 3,5% e 1,5%.

A abertura comercial foi uma das bandeiras de Guedes na campanha presidencial de 2018 e o Ministério da Economia defendeu uma redução mais forte da TEC, sem contrapartidas negociadas com outros parceiros no âmbito de tratados de livre-comércio, ao longo do primeiro ano do governo Jair Bolsonaro.

Sem apoio dos demais países do Mercosul, o Brasil passou a pleitear então um corte de 20% da tarifa comum, dividida em duas etapas. Vale linearmente, para todos os produtos, sem diferença entre setores.

Após longa resistência da Argentina, houve concordância para baixar a TEC em 10%, cobrindo 87% do universo tarifário - ficaram de fora têxteis, calçados, brinquedos, lácteos e parte do automotivo. A decisão seria submetida a Uruguai e Paraguai, na próxima cúpula do Mercosul, mas o Brasil resolveu antecipar a implantação da medida, que já começou a valer neste mês.

O estudo do Ipea - assinado por quatro pesquisadores do próprio instituto, um professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e outro da Universidade da Integração LatinoAmericano (Unila) - simula os efeitos de um corte de 20%, de 50% e de 100% das tarifas de importação.

Graças ao barateamento de insumos importados, haveria ganhos de produção em setores da agroindústria: carne suína e de aves, outros produtos animais, sementes oleaginosas e açúcar “Na indústria de transformação, contudo, ambos os países teriam perdas na maioria dos setores, especialmente em atividades intensivas em trabalho e em tecnologia, como têxteis, vestuário, couro e calçados, equipamentos eletrônicos, máquinas e equipamentos”, diz o trabalho do Ipea.

As três simulações de cortes da TEC projetam diminuição do intercâmbio Brasil-Argentina, especialmente no comércio automotivo, enquanto haveria aumento das transações com outros parceiros comerciais fora do bloco.

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