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Corrupção mina investimento estrangeiro no Brasil

Corrupção mina investimento estrangeiro no Brasil

Nota de Opinión

29/06/2017 - 02h00

Os investimentos no Brasil têm recuado e devem continuar caindo, em grande parte por influência dos escândalos que afetam o governo do presidente Michel Temer e pela instabilidade resultante.

Um estudo recente da Tendências Consultoria mostra que a desconfiança crescente do setor empresarial deve reduzir a formação bruta de capital fixo (FBCF), uma referência do investimento produtivo.

A premiê da Noruega não poupou palavras em encontro recente com o presidente brasileiro. Erna Solberg disse que o empresariado de seu país país está muito preocupado com a Lava Jato e cobrou do governo limpeza e boas soluções.

Mas investidores estrangeiros afirmam que a falta de confiança no Brasil antecede a atual crise política. O caso JBS é só o capítulo mais recente neste reality show de escândalos de corrupção que engoliu a elite política, intensificou a recessão econômica e manchou a reputação mundial do Brasil.

A ironia é que há atualmente, em em Wall Street e em outras praças, grande interesse por ativos brasileiros. Ocorre que esse entusiasmo vem principalmente dos investidores de alto risco atraídos pela crise.

O investimento produtivo é desestimulado tanto pela instabilidade política quanto pelas dúvidas acerca das necessárias reformas econômicas. E também por um sentimento que tais investidores compartilham com a sociedade brasileira: a fadiga com a corrupção.

As sagas de JBS, Odebrecht e Petrobras, espetaculares em abrangência, projetaram uma sensação de desesperança acerca das empresas mais admiradas do país. A podridão da corrupção, entretanto, instalou-se bem antes da Lava Jato.

Mandar à cadeia figuras poderosas do país não bastará para mudar a impressão negativa que muitos investidores estrangeiros têm do nível de contaminação dos negócios pela corrupção -estamos falando de transações simples, que nem sequer chegam às páginas dos jornais e passam despercebidas pelos órgãos de controle.

Tal cenário abalou a confiança dos investidores, tanto na comunidade empresarial quanto na Justiça -que atualmente tenta agir como heroína da crise política.

Um exemplo é o da Aceco TI, uma empresa de infraestrutura de data centers. Em 2014, o fundo KKR pagou R$ 1 bilhão pela empresa à família do empresário Jorge Nitzan e ao fundo General Atlantic. Agora, tenta desfazer o negócio, depois de ter descoberto que os antigos donos pagavam propinas para vencer contratos públicos, como esta Folha noticiou.

A KKR entregou as evidências às autoridades brasileiras, pedindo um acordo de leniência. Enquanto nada avançava, Nitzan fez manobras financeiras e legais mirabolantes para retomar o controle da Aceco e, então, vendê-la a um fundo controlado por sua irmã. Se o clã reassumir a empresa, provavelmente todas as acusações serão retiradas.

A história da Aceco recebeu atenção internacional dada a relevância da KKR, mas ganha pouco destaque no Brasil por não envolver o presidente ou um governador.

À medida que o arcabouço de segurança legal criado pela Lei Anticorrupção se mostrar frustrante e não operacional para um dos maiores gestores de fundos do mundo, os investidores produtivos estrangeiros devem virar as costas para não mais voltar.

Reformas estruturais e estabilidade política são essenciais para que o Brasil retome uma trajetória de crescimento. Em paralelo, o sistema judiciário precisa mostrar sua independência e enfrentar a corrupção com a mesma celeridade e eficiência em casos relevantes e nos não tão espetaculares.

Se isso não acontecer, a campanha para responsabilizar os poderosos não terá ajudado a transformar o Brasil na potência que o país merece ser.

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