Coronavírus aumenta impacto sobre produção do setor eletroeletrônico, diz Abinee

Coronavírus aumenta impacto sobre produção do setor eletroeletrônico, diz Abinee

17:03 - Pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) mostra que 57% das empresas associadas já enfrentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China em decorrência do fechamento de plantas fornecedoras, por causa do surto de coronavírus no país asiático. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira, 21, pela associação, ouviu 50 empresas do setor elétrico e eletrônico.

De acordo com o que apurou a Abinee, a produção média das empresas eletroeletrônicas deve cair 22% no primeiro trimestre de 2020. Esse resultado é 5 pontos porcentuais acima do verificado na pesquisa anterior, realizada há duas semanas.

Segundo a Abinee, a situação é observada principalmente entre os fabricantes de produtos de Tecnologia da Informação (celulares, computadores, entre outros).

Conforme o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, a nova pesquisa indica o agravamento da situação das indústrias que dependem dos componentes externos. "O momento é delicado e devemos ter diversas paralisações daqui para frente", afirma.

Ele considera, porém, que, por enquanto, não há risco de falta de produtos acabados, como celulares e computadores, no mercado brasileiro. "O problema só não é mais grave porque dispomos da produção local destes produtos", ressalta.

Entretanto, segundo o levantamento da Abinee, apenas 4% das pesquisadas já operam com paralisação parcial em suas fábricas. Outras 15% já programaram paralisações para os próximos dias, a maior parte delas, também de forma parcial.

Apesar do impacto no abastecimento, a pesquisa indicou que 54% ainda não têm previsão de parar suas atividades. A decisão dependerá de quanto tempo persistir os problemas no abastecimento.

Com esse cenário, 17% das pesquisadas informaram que não devem atingir a produção prevista para o primeiro trimestre deste ano.

Conforme essas empresas, a produção do período deverá ficar, em média, 22% abaixo da projetada. Para metade das empresas, no entanto, as projeções devem ser mantidas; outras 33% afirmaram que ainda não é possível dar essa indicação.

Normalização

As empresas do setor eletroeletrônico do Brasil que tiveram o fornecimento de insumos por causa do coronavírus levarão, em média, dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China. É o que mostra pesquisa feita pela Abinee.

Na opinião de Barbato, as dificuldades atuais "acendem um sinal de alerta" não apenas para o setor eletroeletrônico como para toda a indústria brasileira que depende de materiais e componentes provenientes de um único mercado, como a China. "A situação expõe nosso alto índice de vulnerabilidade em relação à importação de componentes", observa.

Produção local

Assim, para Barbato, o problema abre uma oportunidade para que se volte a pensar na produção local de componentes utilizados na atividade produtiva do setor.

Atualmente, de acordo com a Abinee, 42% desses itens são provenientes da China, principal origem das importações de componentes do Brasil, totalizando US$ 7,5 bilhões em 2019.

Destaca-se também que os demais países da Ásia foram responsáveis por 38% das importações de componentes elétricos e eletrônicos em 2019.

Portanto, a região da Ásia representa 80% da origem dos componentes elétricos e eletrônicos do País. As empresas do setor continuam monitorando de perto essa situação para analisar os reais impactos da epidemia do coronavírus no setor eletroeletrônico.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino