Coreia do Norte testa míssil lançado de submarino pela primeira vez em dois anos, afirmam sul-coreanos

Coreia do Norte testa míssil lançado de submarino pela primeira vez em dois anos, afirmam sul-coreanos

12:15 - O teste coincidiu com reunião em Washington para discutir capacidades nucleares norte-coreanas e feira de armas em Seul

A Coreia do Norte testou nesta terça-feira um míssil balístico lançado de um submarino (SLBM, na sigla em inglês), a primeira operação deste tipo em dois anos, segundo autoridades sul-coreanas. Como de praxe, o timing de Pyongyang busca pressionar a comunidade internacional, sendo o capítulo mais recente de uma série de provocações do regime de Kim Jong-un que se intensificaram nas últimas semanas.

O teste ocorreu horas após uma reunião entre americanos, japoneses e sul-coreanos em Washington para discutir as capacidades nucleares norte-coreanas. Ofuscou também a abertura de uma grande feira de armas em Seul e forçou o novo primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, a deixar brevemente de lado sua campanha para a eleição do próximo dia 31.

De acordo com o Exército da Coreia do Sul, o míssil foi lançado de Sinpo, cidade na costa leste norte-coreana de onde testes desse tipo são frequentemente conduzidos. Há também uma base naval na área, sede do programa de mísseis balísticos lançados de submarinos.

Os militares sul-coreanos não divulgaram mais detalhes sobre o teste, mas afirmaram que estão continuando a analisar informações referentes ao lançamento. Em resposta, o Conselho de Segurança Nacional da Coreia do Sul se reuniu para discutir os “atos de agressão” do país vizinho e expressou “profundo lamento” com o lançamento diante dos esforços internacionais para retomar o diálogo entre Seul e Pyongyang.

O Comando Indo-Pacífico das Forças Armadas americanas condenou o teste como "desestabilizador", mas considerou que não representava uma ameaça imediata aos EUA e a seus aliados. Segundo a Reuters, Washington e Seul investigam se o míssil foi uma versão menor, até então desconhecida, do apresentado na semana passada em uma exibição militar em Pyongyang.

Submarino em construção
Não está claro se o lançamento ocorreu de um submarino ou de uma base de teste submersa, como nos testes anteriores desse tipo. A Coreia do Norte tem apenas um submarino com tais capacidades, segundo o New York Times, mas está construindo um novo, mais moderno e equipado.

Junto com os tradicionais mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), os projéteis lançados de submarinos representam uma das maiores ameaças militares norte-coreanas, podendo estender o alcance do programa bélico do país. São também mais difíceis de serem detectados com antecedência, dando uma vantagem estratégica a Pyongyang.

O regime de Kim testou três mísseis balísticos intercontinentais em 2017 e, após o último lançamento, declarou que poderia alcançar os EUA com ogivas nucleares. Paralelamente, desenvolvia métodos mais eficazes do programa de SLBMs, que vêm sendo testados desde 2015.

O último teste de míssil lançado por submarino ocorreu em outubro de 2019, com o Pukgukgong-3. Durante paradas militares em outubro do ano passado e em janeiro deste ano, o país apresentou duas versões atualizadas, mas nunca testadas do armamento: os Pukguksongs 4 e 5, este último classificado como “estratégico”, o que significa que foi desenvolvido para carregar ogivas nucleares.

Novos testes
No mês passado, a Coreia do Sul realizou seu primeiro teste de mísseis balísticos lançados de submarinos, acirrando as rivalidades regionais. Na época, Seul se autoclassificou como o sétimo país do mundo a ter SLBMs, ao lado de EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Índia, recusando-se a reconhecer as capacidades da nação vizinha na mesma área.

Apenas neste ano, a Coreia do Norte realizou oito testes de mísseis, incluindo projéteis lançados de trens e o que disse ser um míssil hipersônico, que pode voar a cinco vezes a velocidade do som. Eles seguem uma trajetória plana e são mais difíceis de rastrear e interceptar, pois podem ter seu curso alterado para desviar de defesas antiaéreas.

"Pyongyang tende a ter como enfoque uma questão estratégica de cada vez, então os novos testes podem sugerir que o Exército e, depois, a política externa, são prioridade", disse no Twitter Chad O’Carroll, da organização Korea Risk Group, apontando para uma possível transição após dois anos de pandemia.

Na semana passada, o país mostrou seu arsenal crescente em uma de suas maiores exibições militares, enquanto Kim afirmou não crer nas repetidas afirmações americanas de que Washington não tem intenções hostis contra seu regime. Múltiplas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, além de sanções internacionais, tentam sem grande sucesso conter o programa nuclear norte-coreano, visto como um elemento de barganha e proteção por Pyongyang.

As Coreias estão separadas há quase 70 anos pela Zona Desmilitarizada (DMZ), uma das fronteiras mais fortemente armadas do mundo. Mesmo após o cessar-fogo que pausou a Guerra da Coreia, em 1953, nunca houve um acordo formal para pôr fim ao conflito, que opôs os comunistas do Norte apoiados pela China ao governo pró-Ocidente de Seul.

Nos últimos anos, a corrida armamentista na Península Coreana se acirrou, e as tentativas de negociação não avançam. O diálogo entre os países vizinhos está virtualmente congelado desde o fracasso das negociações lideradas pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, em 2019, que chegou a realizar duas cúpulas e se encontrar com Kim na DMZ.

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