Convivência depende de respeito, afirma eleito

Convivência depende de respeito, afirma eleito

Para futuro representante do país vizinho em Brasília, Mercosul necessita estar unido para preservar produção e empregos

O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, mandou mensagem conciliadora ao presidente Jair Bolsonaro e confirmou o nome do ex-governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, como novo embaixador no Brasil.

Durante reunião com a missão parlamentar brasileira liderada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) , Fernández disse que sua principal mensagem para Bolsonaro, é de que “se nos respeitamos, conviver é mais fácil”. “Transmitam ao presidente Jair Bolsonaro meu respeito e valorização para trabalhar juntos. Meu primeiro gesto com o Brasil é enviar como embaixador alguém muito valorizado por mim”, disse em referência a Scioli. Fernández também transmitiu a Maia o conceito de que “temos um destino em comum, temos que cuidar que nenhuma conjuntura altere nossa relação. O Brasil é um irmão com outro idioma”.

Em entrevista ao Valor, Scioli disse que sua missão será a de “buscar pontos de encontro, concórdia, harmonia e moderação” na relação bilateral. “Sou uma pessoa moderada e levarei esta moderação comigo como homem de Alberto Fernández no Brasil”, disse ele completando que “um dos objetivos do novo governo argentino é levar tranquilidade, confiança e certeza” de que os dois países podem trabalhar juntos.

Scioli comentou que durante sua gestão na maior e mais importante província do país acumulou conhecimento para poder “influenciar positivamente” nas ideias, nos debates e nas relações com os parceiros do Mercosul.

Segundo ele, o bloco tem um renovado desafio de lidar com uma onda protecionista mundial e, para isso, necessita estar unido para preservar a produção e os empregos. Com Paraguai, Brasil completa ‘circuito’ de acordos automotivos ·

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“Temos que partir da premissa de que juntos somos mais fortes para nos defender, crescer mais e aprofundar a integração das cadeias produtivas”, destacou Scioli que também participou da após reunião que Fernández manteve com Maia e a comitiva formada pelos líderes Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Luis Felipe Rossi (MDB-SP), Paulo Pimenta (PT-RS), Elmar Nascimento (DEM-BA) e Orlando Silva (PCdoB-SP).

“Foi uma reunião muito auspiciosa, sincera e franca, na qual o presidente eleito manifestou o respeito á vontade popular de ambos os países que elegeram Bolsonaro, no Brasil, e Alberto Fernández, na Argentina. E, como tal, a necessidade de sermos pragmáticos para manter nossa relação com confiança”, disse o futuro embaixador.

Scioli ressaltou a importância da “diplomacia parlamentar” exibida por Maia e comitiva, a qual “está trabalhando com definições muito claras” como a de maior integração para enfrentar, por exemplo, situações como a provocada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao decidir taxar as importações de aço e alumínio de Brasil e Argentina. “Alberto [Fernández] mencionou que este é um típico exemplo que serve para que os governos dos dois países tomem consciência da importância de estar unidos na defesa de nossa indústria”, destacou.

Sobre as diferenças entre Bolsonaro e Fernández, o futuro embaixador disse que a relação entre os dois países deve superar qualquer divergência ideológica ou pessoal. “Pode haver debate, diferentes pontos de vista, mas a base fundamental é a integração, a união, o desenvolvimento da capacidade máxima de produção”, defendeu como uma clara mensagem de Fernández a Bolsonaro. Neste mundo, continuou, em que os líderes das grandes potências vão tomando decisões protecionistas, a única maneira de enfrenta-las é estar unidos.

O político nomeado diplomata considerou que a reunião de ontem em Buenos Aires “foi um grande passo que envolveu definir a vontade de trabalhar a partir do respeito mútuo, deixar para traz as desinteligências e coisas que foram ditas”.

Segundo Scioli, esta é a mensagem de Fernández que Maia levará ao Bolsonaro, com “a sincera convicção de que Brasil é um aliado estratégico”. A decisão do presidente eleito, destacou, “é colocar todo o esforço da agenda bilateral para aumentar o comércio com outros países, dinamizar o turismo regional, abrir oportunidades de negócios, investir em ciência e tecnologia” com vistas ao desenvolvimento, baixar o desemprego e melhorar a qualidade de vida dos habitantes. “Argentina precisa exportar mais para gerar divisas e melhorar sua economia, e o Brasil, também”, afirmou.

Scioli disse que o governo de Fernández vai trabalhar nesta nova realidade dinâmica para melhorar o bloco. E mencionou que esta também é a vontade de Fernández com o presidente eleito do Uruguai, Luis Lacalle Pou, que, embora seja de direita e ele tenha uma forte relação com a Frente Ampla, “tem todo o respeito pela vontade popular e pelo vencedor”.

 Scioli evitou formular opinião sobre a relação do Mercosul com a União Europeia e as negociações do Brasil com os EUA. “Isso quem vai tratar será chanceler Felipe Sola”, também confirmado ontem por Fernández, disse o futuro embaixador. Ele estimou que assumirá o cargo em fevereiro, mas que estará em Brasília na próxima semana para ver questões de logística da mudança. Não tem planejado encontros com o Planalto porque primeiro deve obedecer aos ritos institucionais de posse do presidente eleito, indicação de seu nome, votação no Senado e apresentação de credenciais a Bolsonaro.   

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