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Controle cambial na Argentina pune investidor brasileiro e altera fluxo de caixa de empresas

Controle cambial na Argentina pune investidor brasileiro e altera fluxo de caixa de empresas

O controle de câmbio imposto pelo presidente Maurício Macri está punindo os investidores estrangeiros, inclusive brasileiros, que acredita ram em seu discurso liberal e aumentaram os investimentos na Argentina, principal sócio do Mercosul

As empresas estrangeiras serão obrigadas a fazer alterações importantes em seu fluxo de caixapor causa do novo decreto, que praticamente vetou a remessa de dividendos para o exterior e exigiu que os exportadores tragam de volta p ara o país todo o seu faturamento.

Segundo executivos que pediram anonimato, o efeito no médio e longo prazo será desestimular os investimentos na Argentina. Eles afirmam que, se as leis de um país não permitem que o capital saia, o dinheiro também não entra.

 Até então a praxe era pagar as despesas da operação na Argentina com funcionários e fomecedorese mandara sobra de caixa para o Brasil ou manter no exterior em dólares. Exportadores que recebiam  em dólar já optavam por deixar o dinheiro fora do pais.

Era uma maneira de se proteger contra a desvalorização do peso e um expediente comum utilizado por multinacionais em outros países com moeda fraca. As empresas só costumam deixar dinheiro em mercados com câmbio forte.

Com o novo decreto, as companhias serão obrigadas a manter o lucro apurado com os negócios dentro do balanço da filial no pais como uma espécie de `investimento`. Não altera o resultado final, mas eleva a exposição ao risco-Argentina.

Um dos setores mais afetados é o bancário, que costumava remeter dividendos com regularidade. O Banco do Brasil tem uma importante operação na Argentina, porque é dono do Banco Patagônía.OItaúUníbanco também opera no país.

De acordo com uma fonte do Banco do Brasil, o controle cambial não deve prejudicar osresultados da instituição, já que o dinheiro será apenas realocado do Brasil para a Argentina.

No setor automotivo, amaior preocupação é com a exigênciadetrazerparaopaístodos osrecursos obtidos com a exportação.

Procurada, a Anfavea, que reúne as montadoras no Brasil, não quis dar entrevista.

Executivos ouvidos pela reportagemcontam que, coma recessãonaArgentina,nãotein sobrado muito luc 10 para repatriar. De toda forma, as empresas estão desengavetando estratégias utilizadas em outras crises cambiais na Argentina.

Uma é o chamado `bluechíp swap`: o investidor com capital na Argentina compra ações de uma empresa no mercado local e converte em ADRs negociados em Nova York. Dessa maneira, tira o dinheiro  do país, vende os ADRs e transforma em caixa. A operação é legal.

O controle cambial de Macri, por enquanto, não afeta as im portações. Quando a medida foi tomada em governos anteriores. Os varejistas não conseguiam dólares suficientes para pagar a os exportadores brasileiros . Um dos setores que mais sofreram foi o calçadista.

`A princípio, ainda nâo estamos sendo afetados, mas é umpéssimo sinal. Se tinha alguém pensando em investir lá, desistiu`, diz Haroldo Ferreira, presidente da Abicalçados, associação que reúne as empresas do setor.

Raquel Landim

Crise no Brasil pesou contra Macri, avalia governo argentino buenos aires

 Quando Maurício Macri assumiu a Presidência, em 2015, o Brasil vivia uma crise política e econômica.

Durante o seu mandato, o argentino conviveu com três presidentes brasileiros, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Com eles, a recessão, o impeachment e o turbulento processo eleitoral brasileiro.

A avaliação que se faz na Casa Rosada é que o baixo crescimento econômico do Brasil foi um dos fatores que colaboraram para que a crise argentina se instalasse, e que o governo de Macri não conseguisse de fato decolar.

Se o Brasil tivesse se mantido com uma economia forte, também a Argentina poderia ter um desempenho melhor. Num cálculo do ex-ministro da Economia Nicolás Dujovne, para cada íponto percentual de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, a Argentina automaticamente cresce 0,5 ponto percentual, devido à forte vinculação do comércio.

Outro fator externo que in cidiu nodesgaste da gestão foi a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

 Mariana Carneiro e Sylvia Colombo com Filipe Oliveira e Mariana Grazini

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