Contra Maduro, Itamaraty deixa de emitir carteira diplomática a chavistas

Contra Maduro, Itamaraty deixa de emitir carteira diplomática a chavistas

Em mais um gesto para isolar os diplomatas chavistas no Brasil, o Itamaraty deixou de emitir a chamada carteira de registro diplomático para os re presentantes do governo Nicolás Maduro no país.

Estão suspensas as emissões do documento uma espécie de RG para diplomatas para todos os venezuelanos que estão no Brasil a serviço do regime Maduro.

O mesmo vale para os pedídos de renovações da carteira, que estão sendo negados pela chancelaria brasileira.

O Ministério das Relações Exteriores passou a adotar essa política contra os diplomatas chavistas desde queo governo Jair Bolsonaro reconheceu o líder opositor Juan Guaídó como presidente interino da Venezuela, no início do ano passado.

A cédula é conhecida informalmente como `carteirinha diplomática` e, segundo diplomatas ouvidos pela Folha, éusada para serviços básicos, como a abertura de contas bancárias e o embarque emvoos nacionais.

De acordo com interlocutores, há hoje na embaixada em Brasília seis diplomatas venezuelanos representando Maduro, sendo que a metade está com odocumento de identificação vencido.

Procurado, o Itamaraty disse que não comenta o caso. A Venezuela não conta com um embaixador no Brasil desde o governo Michel Temer (MDB), e atualmente o principal representante de Maduro no país éo diplomata Freddy Efrain.

A ausência de earteirinha diplomática válida náo significa que esses diplomatas sejam obrigados a deixar o país. Mas a decisão de sustar a emissão de um documento básico para o dia a dia dos diplomatas é um sinal de que o governo pressiona para que eles deixem o Brasil.

Desde o início da administração Bolsonaro, o Itamaraty reduziu ao mínimo sua relação diplomática coma Venezuela de Maduro. Não estão sendo aceitos, por exemplo, pedidos de credenciamento de novos funcionários na missão chavista no Brasil nem há trocas de notasdiplomáticas entre os governos.

O Brasil reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro do ano passado. Em junho, o presidente Jair Bolsonaro recebeu as cartas credenciais de Maria Teresa Belandria, indicada pelo líder opositor como embaixadora no Brasil.

A chancelaria brasileira forneceu carteirinhas diplomáticas a Belandria e a seu subordinado, Tomás Silva. Para o governo Bolsonaro, elessão os únicos representantes da Venezuela no Brasil.

A situação dos venezuelanos que estão em Brasília a serviço do regime Maduro é considerada um tema sensível no Itamaraty. Na chancelaria, qualquer ação contra os chavistas que estão no Brasil traz preocupações sobre possíveis con seqüências para os funcionários brasileiros que atualmente trabalham na embaixada brasileira em Caracas.

Essa é uma das razões que levaram o Ministério das Relações Exteriores a não ter, até o momento, agido para expulsar o corpo diplomátíco de Maduro do país. A avaliação é a de que as autoridades chavistasna Venezuela aplicariam a mesma medida contra diplomatas brasileiros atuando lá.

Interlocutores disseram ã Folha, por exemplo, que os funcionários brasileiros em Caracas também não estão mais conseguindo renovar as cédulas diplomáticas junto ao governo chavista. O ponto mais crítico da coexistência em Brasília de duas delegações da Venezuela ocorreu em 13 novembro, durante a cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul) em Brasília.

Na manhã daquele dia, um grupo partidário a Guaídó liderado por Tomás Silva entrou no edifício da embaixada, sob o argumento de que foram convidados por funcíonários de Maduro que teriam abandonado o regime.

Os chavistas contestam a versão e dizem que o edifí cio foi invadido. Após mais de ií horas de tensão e impasse, os aliados de Guaídó deixaram a embaixada escoltados por policiais.

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