Conflito EUA-China é prejudicial, diz Mourão

Conflito EUA-China é prejudicial, diz Mourão

O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, disse que o mundo acompanha com apreensão a escalada de barreiras tarifárias e aumento de risco de recessão mundial com o conflito EUA-China.

Ele destacou que no caso do Brasil o ganho de curto prazo com a demanda chinesa por soja pode ficar comprometido pela redução global da atividade econômica.

A instabilidade política, segundo Mourão, não contribui paia o progresso da economia. A interação do Brasil com a China, ressaltou Mourão, tem sido respeitosa e construtiva. A China, diz ele, reconhece no Brasil um importante parceiro.

A viagem em outubro do presidente Jair Bolsonaro à China, lembrou, vai conferir novos impulsos para a política bilateral, assim como a visita do chinês Xi Jinping, em novembro, para a reunião do Brics (Brasil, Rússia, índia, China eÁfrica do Sul). Mourão ressaltou que a China é o principal parceiro comercial do Brasil e que a abrangência e o dinamismo das relações entre os dois países não emitem sinais de declínio ou de esgotamento. As expectativas, diz, apontam para relações maiores e melhores, não só no comércio, mas também em setores como defesa e educação.

Para o secretário especial de Comércio Exterior e de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, o Brasil e a China não possuem uma relação de parceria estratégica. O que há, hoje, segundo ele, é uma relação de freguesia. Se o Brasil quiser construir uma parceria, são necessários quatro elementos, afirma Troyjo. O primeiro é elevai- a presença física do Brasil na China. Apesar de todo o comércio eletrônico, diz ele, é preciso ter mais presença física e a dos brasileiros é baixa.

O segundo é verificar em que medida o Brasil pode fazer opções estratégicas que não impeçam um relacionamento privilegiado com os Estados Unidos. Também é preciso manter soberania ao mesmo tempo em que se permita a entrada de investimentos chineses. O quarto e último elemento se refere à preparação de projetos para investimentos.

Segundo o secretário, que, assim como Mourão, esteve ontem em São Paulo para evento do Conselho Empresarial Brasil China, no longo prazo os efeitos do conflito entre EUA e China não são interessantes, por mais que possam trazer algum benefício pontual. Segundo ele, as exportações chinesas aos EUA não são substituíveis por exportações brasileiras, embora as exportações americanas para os chineses possam ser substituídas pelas brasileiras.

Os exemplos mais claros, aponta Troyjo, são soja e carne. `Para um Brasil que tem que trocar o telhado da macroeconomia, é melhor trocar com dia bonito lá fora do que com chuvarada pesada e muitas nuvens escuras, que é o que acontece hoje entre China e EUA` Também presente ao evento, o embaixador da China 110 Brasil, Yang Wanming, diz que atualmente a economia mundial sofre o impacto do protecionismo.

A guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos, segundo ele, impôs ameaça ao comércio internacional, com aumento de risco para as economias emergentes, trazendo incerteza também para as relações entre Brasil e China. De acordo com o diplomata, a China mantém há uma década a posição de maior destino das exportações brasileiras e ainda há uma larga margem para crescimento do comércio bilateral, com as mais de 400 milhões pessoas da classe média chinesa, maior mercado consumidor do mundo, e em expansão.

A complementariedade da parceria entre Brasil e China, disse o embaixador, é importante para o crescimento estável entre os dois países. Ele citou que o consumo de carne bovina na China dobrará até 2027 e que, cada vez mais, produtos diferenciados do Brasil terão acesso ao mercado do país.

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