Como Mourão enfraquece e fortalece Ernesto Araújo ao mesmo tempo

Como Mourão enfraquece e fortalece Ernesto Araújo ao mesmo tempo

27/01 Mourão expôs publicamente a fragilidade política de Araújo.

Ao admitir que Ernesto Araújo pode deixar de ser ministro das Relações Exteriores, o vice-presidente Hamilton Mourão enfraqueceu ainda mais um chanceler cuja atuação vem acumulando críticas e insatisfações. Do agronegócio aos médicos e pesquisadores que buscam imunizar a população brasileira da Covid-19, passando pelos exportadores de produtos primários para a China às empresas de telecomunicações que não veem sentido em impedir a Huwaei de participar da montagem da infraestrutura de 5G no país, é longa a lista dos que gostariam de ser convidados para a despedida de Araújo. Nela entrou também o centrão, que vai querer mais cargos para manter o apoio ao presidente Jair Bolsonaro depois da eleição para presidentes da Câmara e do Senado.

Mourão expôs publicamente a fragilidade política de Araújo. Mas, paradoxalmente, o vice-presidente pode ter dado alguma sobrevida ao chanceler que se notabilizou pelo alinhamento ao ideólogo Olavo de Carvalho, ao governo do ex-presidente Donald Trump nos EUA e a uma visão de que há uma guerra cultural que cabe ao Ocidente vencer contra influências perniciosas. Araújo ganhou alguma força para ficar exatamente porque foi Mourão quem disse que ele pode sair.

O presidente não confia no vice-presidente, não o inclui em suas discussões, e já cansou de se irritar com posicionamentos públicos do compaheiro de chapa nas eleições de 2018. O próprio Mourão já admitiu isso, e lembrou que não tem "bola de cristal" nem participa de discussões sobre mudança no governo, ao comentar a possibilidade de troca nas Relações Exteriores.

Bolsonaro pode manter o chanceler somente para contrariar o vice, e agora vai ser preciso um esforço extra para tirar Araújo. Seria uma decisão tomada com o fígado, mas esse órgão é das partes do corpo humano mais ouvidas pelo presidente em sua carreira. É bom lembrar que Araújo, como o próprio presidente, mudou de tom em relação à China. É outro motivo para a despedida ser adiada.

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