Como a crise antecipou a urgência de repensar investimento

Como a crise antecipou a urgência de repensar investimento

Hã pouco menosde um ano, levantei uma reflexão que possivelmente iria mudar de forma gradativa, masdefinitiva, a maneira sobre como o investidor brasileiro passaria a pensar e avaliar a rentabilidade de suas aplicações.Tratava-se do desaparecimento doCDI e suas conseqüências na indústria de investimentos como um todo no Brasil.

Motivado pelas mudanças que seriam anunciadas na época pelos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unicfos sobre a redução histórica das taxas básicas de juros, relatei em agosto de 2019: o CDI vai desaparecer e o racional será cada vez mais `qual percentual um fundo ou modalidade de investimento poderão me dar de rentabilidade ao ano`.

O ano agora é 2020 e há cerca de três meses o mundo foi surpreendido pela maior crise pandêmica da história da humanidade. Diferentemente de 2008, estamos vivencianclo mais do que apenas uma crise financeira. É uma crise sem precedentes de saúde com um choque de oferta que já altera diretamente o comportamento e modo de viver da sociedade global.

Essa mudança brusca também vale para os investimentos. Nem os melhores economistas ou gestores financeiros do mundo poderiam preverquea necessidade de readaptação das finanças pessoais se aceleraria de forma tão rápida e se tornaria urgente, diante da crisee incertezas no longo prazo.

Apenas no primeiro trimestre deste ano, a bolsa brasileira registrou seis circuit breakers que acompanharam o pânico no mercado mundial de ativos e aversão ao risco. Depois de uma queda gigantesca da atividade econômica e dos preços dos ativos do mercado, com o dólar oscilando na máxima histórica, existe agora a incógnita de como e o quão rápido deverá acontecer a retomada da economia.

O Banco Central no Brasil agiu e, em maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, de 3,75% para 3% ao ano e já indicou pelo menos mais um corte na próxima reunião. Com essa nova realidade, se o investidorbusca rentabilidade para sua carteira, não fazer nada com suas aplicações já não é mais uma opção.

A hora é agora. Com os juros reais perto do negativo e menores riscos na trajetória da inflação, a situação ganhou uma dinâmica tão rápida que as pessoas terão que pensar melhor onde e como investir. Nunca foi tão seguro afirmar que para ter uma rentabilidade consistente ao ano, a referência será a taxa de retorno nominal dos investimentos comparada ao risco da classe de ativo e sua liquidez.

Uma parcela importante da população já dásinaisde maturidade, mesmo em meio à pandemia. De acordo com a B3, a bolsa brasileira ganhou 470 mil novos invéslidores entre março e abrila té fevere iro, era m quase 2 milhões de CPFs cadastrados. Aumentar o fluxo de contas registradas na bolsa em um momento de crise como este era impensável há alguns anos,

Este é sim um sinal relevante de evolução. Mas eu diria que no cenário de hoje o investidor ainda se sente órfão. A maioria das pessoas permanece aguardando sem saber o que fazere como será viverem um mundo com juros tão baixos durante um período tão longo.

Contudo, listo aqui alguns caminhos que já são uma constatação na transformação da indústria de investimentos no Brasil. Fundos de renda fixa com taxas de administração altas desaparecerão. Não é mais concebivel cobrar uma taxa de administração de 1% ou até maior em um fundo de renda fixa com a Selic em patamar tão baixo.

A renda variável mais do que nunca será aaliada-chave para que as carteiras apresentem rendimentos satisfatórios. Dentro deste universo, incluo não apenas ativos listados como: ações, ETFs e fundos imobiliários, mas também bons fundos multimercado, fundos de ações e fundos de longo prazo (Crédito, Private Equity e Infraestrutura), além de ativos dolarizados como fundos cambiais e fundo de ouro para proteção da carteira.

A situação econômica global só começará a encontrar um rumo em algum momento na segunda metade do ano e muito provavelmente no ano que vem. A velocidade da economia estará diretamente ligada ao nível de imunização das populações por meio do surgimento de uma vacina contra a covid-19. Só assim teremos clareza no ritmo da retomada da economia.

Nessa linha, não acredito em uma recuperação em `V` como algumas análises têm defendido. O que já está começando a acontecer na economia e nos mercados é a chamada retomada em `U`, lenta e gradual, após uma queda muito brusca sofrida nos primeiros quatro meses deste ano.

Dito isso, o mercado financeiro já se antecipou. Basta observar que as bolsas no mundo começam a se equilibrar. Agora, estamos em um novo período de estabilização, os ativos financeiros estão rodeando um preço médio. No caso do Ibovespa, cerca de 80 mil pontos, já no S&P500, nos Estados Unidos, a média já varia perto de 3 mil pontos.

Por fim, fica a provocação saudável: existe uma grande incerteza sobre quando a economia global será retomada. Mas é possível dizer que os ativos financeiros vão andar na frente. Portanto, não vai adiantar esperar a economia voltar ao ritmo anterior para você, investidor individual, começar se posicionar.

Momentos de alta volatilidade também trazem oportunidades. E entender o `novo normal` do mundo nunca foi tão necessário também para as suas finanças.

Palavra do gestor Allan Haclid

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino