Como Bolsonaro vai reagir à crise no Mercosul aberta pelo Uruguai?

Como Bolsonaro vai reagir à crise no Mercosul aberta pelo Uruguai?

Pressionado pelos exportadores de seu país, o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, decidiu anunciar, na véspera da cúpula presidencial do Mercosul desta quinta-feira, que seu governo vai avançar em negociações com países de fora do bloco.

A medida rompe a regra de consenso, pilar do Mercosul, e para sócios como Argentina e Paraguai, é inadmissível. A incógnita é saber qual será a reação do governo do presidente Jair Bolsonaro, que sempre concordou com a demanda uruguaia, mas questionou o timing e a forma adotada por Lacalle Pou (um comunicado oficial em meio a uma reunião de chanceleres).

A decisão será de Bolsonaro. O Itamaraty defende uma postura conciliadora: receber a nota do Uruguai apenas como um anúncio, sem efeito prático, e aguardar a evolução dos fatos. Mas a equipe econômica, que considera fundamental flexibilizar o Mercosul (o que inclui a redução da Tarifa Externa Comum, que taxa produtos de países de fora do bloco), defenderá a iniciativa uruguaia? A proposta do Brasil ao bloco fala em liberdade para negociar e corte linear imediato de 10% da TEC, e outros 10% no fim do ano. A Argentina, que no início não admitia falar em reajuste de tarifas, sugeriu uma redução de 10% da TEC, mas apenas para 75% dos produtos, excluindo bens finais. Depois da ofensiva uruguaia, qual será a posição do Brasil, que nesta quinta-feira assume a presidência temporária do bloco?

Em Buenos Aires, a Casa Rosada não tem dúvidas: se o Uruguai avançar em negociações unilaterais, deverá sair do Mercosul. A Argentina de Alberto Fernández considera inviável que o vizinho assine acordos, por exemplo, com países asiáticos, e mantenha vantagens de acesso aos mercados do bloco. “A ideia de ser uma Singapura da América do Sul não é viável”, compara uma fonte do governo argentino. O Paraguai aderiu, talvez por dependência, à posição da Argentina. O país não tem condições de negociar sozinho com o mundo.

O problema é que o Mercosul é cheio de exceções. O governo uruguaio diz ter feito uma análise jurídica que sustenta sua decisão e nega estar ferindo regras internas do bloco. Para o governo Lacalle Pou, o país hoje tem desvantagens para competir em mercados importantes para seus produtos primários, sobretudo na Ásia. O Uruguai não vai recuar.

No Brasil, setores industriais têm discutido com a equipe econômica. Há preocupação pela dificuldade em competir com novos concorrentes externos. Na última reunião do Mercosul em que participou, no final de abril, Guedes foi enfático em avançar nas reformas do bloco, com ou sem consenso. O Itamaraty mediou e entrou-se num impasse. Talvez o Mercosul se rompa, mas poderia também entrar num limbo até as próximas eleições presidenciais brasileiras.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino