Comércio global deve se recuperar, mas há riscos

Comércio global deve se recuperar, mas há riscos

Início da vacinação em vários países está melhorando perspectiva para o comércio e a economia globais, mas recuperação será lenta e o mundo só voltará aos níveis pré-pandemia em 2022.

O comércio internacional deve continuar a trajetória de recuperação em 2021, mas somente em 2022 as exportações e importações devem voltar ao nível de antes da pandemia, segundo diferentes organizações internacionais.

A vacinação contra a covid-19, já iniciada em vários países, ajuda a restaurar confiança de consumidores e executivos após a pior recessão global em décadas. No entanto, o ritmo da retomada do comércio global pode ser acidentado, com novos confinamentos devido a novas ondas da pandemia.

O sentimento entre analistas na cena comercial internacional coincide com a de Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, de que os próximos meses “serão o inferno em termos políticos, epidemiológicos e econômicos”’, mas em algum momento em 2021 as coisas começarão a melhorar nos EUA e, espera-se, no resto do mundo.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê crescimento de 7,2% em volume no comércio global de mercadorias em 2021, após o colapso de 9,2% em 2020. Já o Banco Mundial prevê crescimento de 8,3%, ante queda estimada de 10,4% no ano passado.

Pelas projeções mais recentes do FMI, o comércio internacional de bens e serviços deve ter fechado 2020 com contração gigantesca de US$ 3,2 trilhões em relação ao ano anterior. Neste ano, mesmo se alcançar os US$ 23,8 trilhões previstos, ainda estará abaixo do nível de 2019 em US$ 700 bilhões.

Para a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), no caso do comércio apenas de mercadorias, o colapso em valor pode sido de “apenas’’ 5,6% em 2020, bem mais suave que o colapso de 22% de 2009, na crise financeira global.

O grosso da contração tem sido no setor de serviços, com baixa estimada em 15,4% em 2020, em relação a 2019, segundo a Unctad. É o maior declínio no comércio global de serviços desde 1990.

Porém, a consultoria Capital Economics melhorou sua projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em razão do desenvolvimento das vacinas. A expectativa é que, com a imunização crescente, será possível reverter ao menos parcialmente a situação em serviços, com gradual retomada no turismo e em outros segmentos depois da metade do ano.

Em volume, o comércio global teve forte queda em 2020, especialmente no primeiro semestre. No terceiro trimestre, começou uma recuperação nas exportações de produtos como eletrônicos, têxteis e automotivos, mas ainda bem abaixo dos níveis de 2019.

Em outubro, o crescimento do comércio em volume foi menor do que em setembro. E os dados para novembro e dezembro, em meio a nova escalada da covid-19, apontam um impacto negativo sobre as trocas globais, segundo o Centro de Análise Econômica (CPB, na sigla em inglês), da Holanda.

“Mesmo se o comércio responder rapidamente à medida que a demanda se recupera, pode-se esperar até 2022 para o comércio global de mercadorias atingir os volumes de antes da pandemia’’, avalia Joanna Konings, do banco holandês ING, em nota a clientes.

Para ela, os custos da diversificação de fornecedores e da manutenção de estoques altos vão limitar grandes migrações de cadeias de fornecedores em 2021.

Para produtores de commodities, um alívio é a evolução dos preços, que em outubro já estavam acima dos níveis anteriores à pandemia: 5% acima do preço de dezembro de 2019 nos produtos agropecuários e 10% mais nos metais industriais. A cotação do petróleo, porém, estava 32% abaixo.

Para 2021, o Banco Mundial prevê alta de 5,7% nos preços de commodities não-energéticas. Já o FMI prevê aumento médio de 9% na cotação de produtos básicos: 4% nos alimentos, 3% nos metais básicos e 16% nos produtos energéticos.

Isso tem a ver também com a demanda, especialmente da China. A expectativa é que a economia chinesa, ao fim de 2021, seja quase 10% maior do que no fim de 2019.

A China segue dominando as exportações mundiais, apesar da guerra comercial deflagrada por Donald Trump. A pandemia prejudicou a logística global, sem, porém, reduzir a dependência de vários países por bens chineses. A fatia chinesa nas exportações totais na verdade aumentou, enquanto a dos EUA deve ter diminuindo, segundo avaliações preliminares.

As sobretaxas impostas pelos EUA a produtos chineses provavelmente serão mantidas no governo de Joe Biden. Apesar de se esperar uma atenuação no conflito entre as duas maiores economias do mundo, o Banco Mundial nota que tensões geopolíticas continuarão a pesar sobre o comércio global.

E dá como exemplo o risco de atrito na coalizão de países exportadores de petróleo, o que pode ameaçar a oferta da principal commodity internacional. Disputas comerciais envolvendo tecnologia também estão no radar. E a maioria das medidas que distorcem o comércio adotadas nos últimos dois anos continuam em vigor.

Conforme a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mesmo se a recuperação global se confirmar, a economia mundial ainda será 5% menor no fim de 2021 do que se projetava no ano passado antes da pandemia, ilustrando o crescimento perdido, menor padrão de vida das populações, persistente desemprego, mais desigualdades e menos comércio

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