Com possibilidade de saída de Moro, dólar bate recorde e fecha a R$ 5,52; Bolsa cai

Com possibilidade de saída de Moro, dólar bate recorde e fecha a R$ 5,52; Bolsa cai

Ministro da Justiça ameaça pedir demissão após possível troca no comando da Polícia Federal

A notícia de que o ministro da Justiça, Sergio Moro, teria ameçado pedir demissão ao presidente Jair Bolsonaro, mexeu com o mercado financeiro na sessão destaquinta-feira. O dólar comercial, que já vinha em alta pela expectativa de novos cortes na taxa de juros Selic, ganhou fôlego e encerrou cotado a R$ 5,528, novo recorde. Na máxima do dia, a divisa bateu em R$ 5,530.
Entenda:
Na B3, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, operou em alta até o início da tarde, mas inverteu a tendência e fechou em queda. O índice brasileiro chegou a cair 2,01%, pouco depois das 15h com a notícia de uma ameaça de demissão de Sergio Moro, mas acabou fechando com queda de 1,26% aos 79.673 pontos.
- Duas notícias impactaram o mercado: a informação de que pesquisas iniciais com o medicamento Remdesivir contra o coronavírus haviam fracassado e aqui a ameaça do pedido de demissão de Sergio Moro - afirmou Ilan Abetman, analista da Ativa Investimentos.
Segundo a colunista de O GLOBO, Bela Megale, o presidente Jair Bolsonaro informou ao ministro Sergio Moro sua intenção de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Moro teria dito ao presidente que só ficará no cargo se Valeixo permanecer. Valeixo é homem de confiança de Moro e foi indicado por ele ao posto.
- Já não bastam os impactos da pandemia de coronavírus na economia, as desavenças entre Executivo e Congresso, agora mais esse problema. Parece que o governo procura novos focos de atrito todos os dias - disse o operador de uma grande corretora, que prefere não se identificar.
Queda de juros pressiona dólar
Apenas nesta semana, e com um dia a menos por conta do feriado de 21 de abril, a moeda americana já subiu 5,7%. Nesta quinta, o dólar já abriu em alta, cotado a R$ 5,43, depois de ter fechado a R$ 5,40, também recorde.
No exterior, o dollar spot, índice da Bloomberg que acompanha o desempenho de uma cesta de moedas frente ao dólar, subia 0,15% no fechamento dos negócios no Brasil.
Com taxa de juros mais baixa, o Brasil perde a atratividade para investidores que vinham aplicar na renda fixa, segundo especialistas. A fuga de investidores leva o dólar a subir.
Para amenizar a alta da divisa, o Banco Central anunciou leilão de swap tradicional de até 10 mil contratos com vencimentos em 3 de agosto de 2020 e 4 de janeiro de 2021.
Foram vendidos todos os 10 mil contratos de swap cambial ofertados. Após o anúncio do BC, o dólar recuou, mas voltou a ganhar força.
Saiba mais:
O Banco Central fez ainda entre 11h30 e 11h40 desta quinta-feira leilão de até 10 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento 1º de junho de 2020.
Dólar mais perto de R$ 6
Segundo Pedro Molizani, operador da mesa de câmbio do Travelex Bank analistas começam a avaliar a hipótese de que a divisa americana pode começar a operar mais perto de $ 6 do que de R$ 5.
Isso se deve ao fato de que o Banco Central continua dando sinais claros de que irá cortar ainda mais a Selic na próxima decisão que acontece no início de maio. A taxa atualmente está em 3,75%. O mercado estima um corte da Selic entre 0,75 e 1 ponto ponto percentual.
Latam:
Em reuniões virtuais com bancos e representantes do setor financeiro, a cúpula do BC vem sinalizando que não faz sentido “guardar munição” na política monetária e não atuar com toda a força na direção expansionista, tendo em vista os sinais de retração da economia.
Segundo Molizani, dados do BC mostram que US$ 30 bilhões que estavam investidos no mercado brasileiro deixaram o país neste ano, quase sete vezes mais se comparados ao mesmo período de 2019.
Ainda assim, o mercado avalia que a moeda americana pode terminar o ano cotada a R$ 4,80, segundo a mediana das previsões do boletim Focus, do Banco Central.
Seguro-desemprego nos EUA
Investidores também repercutiram dados sobre o desemprego nos Estados Unidos. O total de pedidos de seguro desemprego chegou a 4,4 milhões, na semana passada, menos do que os 5,2 milhões da semana anterior.
O dado da semana passada ficou abaixo da estimativa dos analistas, que previam 4,5 milhões de pedidos.
Mas o desemprego nos EUA, pode atingir 11% em breve, dizem especialistas. Só nas útimas cinco semanas, 26 milhões de americanos procuraram o auxílio desemprego.
BNDES:

Bolsas americanas perdem força
As bolsas americanas chegaram a subir mais de 2% pela manhã, mas perderam força durante a tarde, influenciando também o Ibovespa.
No fechamento, o S&P 500 perdeu 0,05%; o Dow Jones avançou 0,17% e o Nasdaq caiu 0,01%.
As bolsas americanas perderam força com a notícia do jornal Financial Times que o antiviral Remdesivir não melhorou a condição dos pacientes com Covid-19.
O jornal obteve a informação em documentos da própria Organização Mundial de Saúde (OMS). Na semana passada, circularam informações de que o medicamento tinha obtido bons resultados no tratamento da Covid-19.

Petróleo se recupera no exterior
O petróleo se recuperou pelo segundo dia consecutivo, com o preço do barril WTI chegando a saltar 21% no início dos negócios com a tensão entre EUA-Irã e com a expectativa de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) corte ainda mais sua produção. No final do dia, o WTI subiu 20% e o Brent teve alta de 5%.
As ações da Petrobras subiram mais de 3% durante a manhã, mas acompanharam o Ibovespa e perderam força. Ainda assim, fecharam no azul. As ações ordinárias (com direito a voto) subiram 0,99% enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) subiram 1,19%.
Os analistas do Bradesco BBI escreveram em relatório a clientes que as declarações do presidente americano Donald Trump, autorizando que a Marinha americana abata navios iranianos, deve “fornecer suporte para os preços do petróleo no curto prazo, já que os mercados esperam alguma potencial escalada de conflitos”.
O governo americano acusou o Irã de provocar os navios americanos nas águas internacionais do Golfo, com lanchas passando em alta velocidade e muito perto das embarcações dos EUA.
Além disso, com os preços do petróleo nas mínimas históricas, os produtores americanos continuarão diminuindo a produção e fechando os poços nos EUA.

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