Com mais orçamento, Itamaraty já planeja ampliar postos no exterior

Com mais orçamento, Itamaraty já planeja ampliar postos no exterior

Intenção é inaugurar três ou quatro consulados-gerais e escritórios consulares em 2022

Depois de vários anos congelando ou encolhendo as representações diplomáticas do Brasil no exterior, com fechamento de embaixadas abertas nos governos do PT, o Itamaraty planeja ampliar novamente sua rede de postos. A intenção é inaugurar três ou quatro consuladosgerais e escritórios consulares em 2022.

Para viabilizar a abertura dos postos, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, pediu à equipe econômica um orçamento de quase R$ 2,3 bilhões para a pasta no ano que vem. Neste ano, o Itamaraty tem R$ 1,741 bilhão em recursos autorizados - sem contar despesas obrigatórias, como salários. Cerca de 90% desse orçamento é executado em dólar.

Dois novos consulados devem ser criados nos Estados Unidos e na China, em cidades conhecidas como polos de desenvolvimento tecnológico e inovação, abrigando empresas importantes. Um abrirá as portas em Chengdu, na Província de Sichuan, numa das regiões do país asiático conhecidas como “high tech”. Hoje, além da embaixada em Pequim, o Brasil tem dois consulados na China: em Xangai e em Guangzhou (antigamente chamado de Cantão).

Nos Estados Unidos, embora o martelo ainda não esteja batido, a cidade com mais chances de receber a nova representação diplomática é Seattle. Localizada no noroeste do país, ela é berço de pesos-pesados da indústria e da tecnologia: Microsoft, Amazon, Boeing e Expedia estão entre as multinacionais com sede lá.

Segundo interlocutores do atual chanceler, as escolhas refletem uma diplomacia mais pragmática, com foco na atração de investimentos e parcerias econômicas. Eles argumentam que não há semelhanças com a abertura de postos no exterior, em ritmo acelerado, que caracterizou o Itamaraty nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003 a 2016).

No auge das administrações petistas, o Brasil chegou a ter uma rede de 223 postos no exterior - entre embaixadas, consulados, escritórios e missões em organismos internacionais. No período, houve significativa expansão das representações diplomáticas na África e no Caribe.

Essa rede mais ampla era vista como fundamental não só para dar suporte à internacionalização de empresas brasileiras e ao incremento de laços comerciais, mas també para aumentar as chances de sucesso em campanhas do país no exterior, que podiam ser da eleição para a chefia de entidades multilaterais (como OMC e FAO) à disputa como sede da Olimpíada. O Brasil tinha ainda, como prioridade, um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O governo Bolsonaro fechou um total de oito postos. Foram encerradas as atividades de sete embaixadas. Cinco delas funcionavam no Caribe (São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Antígua e Barbuda, Dominica e Granada) e duas na África (Serra Leoa e Libéria). Também foi extinto o consulado-geral na Cidade do México, que passou a operar junto com a embaixada no país.

No novo plano de expansão, além de Chengdu e provavelmente Seattle, devem ser abertos dois escritórios consulares (com estruturas mais enxutas e sem o mesmo grau de autonomia dos consulados-gerais). Um está previsto para Orlando, na Flórida (EUA), com o objetivo de desafogar as atividades do consulado em Miami e atender com mais celeridade cidadãos brasileiros que apresentam demandas relacionadas à perda de passaportes e problemas com a imigração, por exemplo.

O outro escritório ficaria em Jerusalém, onde o turismo evangélico vinha disparando antes da pandemia, gerando esse mesmo tipo de demanda. Além disso, a abertura do posto ajudaria no discurso oficial de que a embaixada em Tel Aviv ainda não foi transferida para Jerusalém, conforme promessa de Bolsonaro na campanha de 2018 para agradar sua base, mas alguns passos estão sendo dados. A Apex já instalou escritório comercial na cidade.

Em caso de reeleição do presidente, o chanceler França planeja outras estruturas a partir de 2023. Na lista está um novo consulado no Reino Unido, que hoje concentra todas as atividades em Londres e onde a comunidade brasileira tem crescido. Também se programa a construção da nova embaixada do Brasil em Pequim.

O edifício atual, inaugurado como representação diplomática em 1974, fica em uma área mais antiga de embaixadas na capital chinesa e distante de onde hoje estão situadas as chancelarias dos Estados Unidos, do Canadá e de países europeus. “Mais parece uma casa que era grande e que teve puxadinhos para virar embaixada”, diz um diplomata.

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