Com demanda por vitamina C, Brasil eleva exportação de frutas cítricas na pandemia

Com demanda por vitamina C, Brasil eleva exportação de frutas cítricas na pandemia

Apesar dos impactos inevitáveis da pandemia do novo coronavírus sobre o consumo de produtos brasileiros, o agronegócio tem surgido como uma exceção. Isso porque a exportação de produtos agrícolas – em especial, de soja para a China – tem impulsionado o setor nos últimos meses.

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus impulsionou a venda de frutas cítricas brasileiras para outros países. Enquanto o volume de exportação de frutas em geral caiu 5% no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período de 2019, a comercialização de produtos como tangerina, laranja, limão e lima avançou 12%. Em seis meses, essas frutas foram responsáveis por US$ 57,1 milhões em exportações, o que representa uma alta de 8% no valor exportado.
Os dados fazem parte de estudo feito pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), com base em informações do governo federal. Os números revelam que, durante a pandemia, as frutas cítricas destoaram da tendência mais geral de retração nas vendas para outros países.
Por trás do movimento está principalmente o interesse dos países europeus, em especial Holanda, Reino Unido, Espanha e Alemanha, que compraram frutas cítricas em busca de fontes de vitamina C – vista como uma ferramenta para ajudar a fortalecer o sistema imunológico da população durante a pandemia. Com volumes menores de compras, também se destacaram Emirados Árabes e Canadá.
Se por um lado o volume exportado de melão – uma das principais frutas vendidas pelo Brasil a outros países – recuou 13% no primeiro semestre, a comercialização de tangerina subiu 158%, a de laranja avançou 132% e a de limão e lima teve alta de 12%. O destaque ficou por conta de limões e limas, que juntos somaram 71,7 mil toneladas exportadas de janeiro a junho.
No período, o Brasil vendeu 399.804 toneladas de frutas em geral in natura (fresca, sem processamento), o que gerou US$ 312,4 milhões em divisas para o País. Deste total, 73.039 toneladas foram de frutas cítricas (18% de todas as frutas), em um montante de US$ 57,1 milhões.
“No início da pandemia, surgiu uma demanda muito grande por vitamina C”, explica o assessor técnico da Comissão de Fruticultura da CNA, Erivelton Cunha. “A vitamina era vista como uma forma de ajudar na imunidade.”
Em função disso, as vendas de laranjas, que chegaram a cair 58% no primeiro trimestre do ano, passaram a subir no período de pandemia, encerrando o primeiro semestre com alta superior a 100%.
Outras frutas tradicionalmente exportadas pelo Brasil tiveram desempenho pior. Conforme Cunha, itens como mamão, uva e manga foram prejudicados por não poderem utilizar os modais aéreos. “São frutas que vão para outros países juntamente com os passageiros”, explica o assessor da CNA. Com a forte redução do número de viagens aéreas, estes itens encalharam no Brasil.
“Também houve redução de demanda”, acrescenta o especialista. No caso das frutas cítricas, ocorreu justamente o contrário, com a demanda sendo impulsionada pela busca de alimentos saudáveis durante a pandemia.
Apesar dos bons resultados do primeiro semestre, há dúvidas sobre a continuidade do desempenho no segundo semestre. Além de o período de colheita das frutas cítricas se concentrar em maio, junho e julho, os exportadores terão de lidar, até o fim deste ano, com as incertezas em relação ao consumo pós-pandemia.
“Esperamos uma sensibilização maior dos consumidores quanto à alimentação e que ocorra procura maior por frutas e hortaliças, ricas em vitaminas e sais minerais”, diz Cunha. “Por outro lado, existe a questão financeira. Será que a população terá dinheiro para consumir este tipo de produto, ou será que vai preferir comprar itens básicos, como carboidratos e proteínas?”
Técnicos do Ministério da Agricultura ouvidos pelo Estadão/Broadcast Agro lembraram que a representatividade das frutas cítricas é pequeno no universo das exportações agrícolas do Brasil. Ao mesmo tempo, afirmaram que a expectativa é de que haja um aumento das vendas de frutas em geral no segundo semestre.
Eles lembraram que a segunda metade do ano é, tradicionalmente, mais favorável para a exportação de frutas brasileiras. Além disso, pontuaram que a Europa, principal mercado consumidor, já está em um estágio mais avançado na pandemia, com reabertura do comércio e processo de normalização do consumo.
As exportações de hortaliças também apresentaram expansão consistente no primeiro semestre, com alta de mais de 300% no volume ante o mesmo período do ano passado, conforme a CNA. Foram vendidas no período 23 mil toneladas de produtos como cenoura, tomate, cebola e batata.
Conforme a CNA, nesse caso o avanço deve-se à busca por mercados mais próximos, como os dos países do Mercosul, cujo acesso pode ser feito por meio terrestre.
“Os produtores, com o comércio interno muito limitado, buscaram alternativas via Mercosul”, diz Cunha. “O tomate, por exemplo, em junho teve preço muito baixo. Então a comercialização para países vizinhos foi ampliada.”
Apesar dos impactos inevitáveis da pandemia do novo coronavírus sobre o consumo de produtos brasileiros, o agronegócio tem surgido como uma exceção. Isso porque a exportação de produtos agrícolas – em especial, de soja para a China – tem impulsionado o setor nos últimos meses.
As projeções da CNA são de que, com a pandemia, a participação do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro saltará de 21,4% em 2019 para 23,6% em 2020. No ano passado, 45% de tudo exportado pelo País foram do agronegócio. Este ano, o porcentual deve chegar a 55%.
A CNA calcula ainda que o Valor Bruto de Produção – indicador que mede o faturamento da agropecuária “dentro da porteira” – deve somar R$ 746,2 bilhões em 2020. O valor é 11,5% superior ao registrado em 2019.
Dentro do mercado financeiro, as projeções também são otimistas. Conforme o Relatório de Mercado Focus do Banco Central, que traz uma compilação das projeções do mercado, o PIB da agropecuária deve crescer 2,09% este ano, mesmo em um ambiente de crise. De acordo com as estimativas, o PIB da indústria deve recuar 6,93% e o de serviços tende a cair 4,85%.

Fabrício de Castro e André Borges

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