Com base na Ciência, Argentina e Uruguai controlam a pandemia

Com base na Ciência, Argentina e Uruguai controlam a pandemia

Alberto Fernández e Lacalle Pou têm conseguido enfrentar a Covid-19 com algum êxito político

Há sete semanas o presidente argentino Alberto Fernández só decide sobre a pandemia depois de consultar um comitê de onze infectologistas e epidemiologistas. Iniciativas balizadas pelo conhecimento científico lhe permitiram manobrar com relativo êxito, até agora, no controle da disseminação do novo coronavírus.
Fernández impôs medidas duras, inclusive policiais, para garantir o distanciamento social, principalmente, na região metropolitana de Buenos Aires, onde se concentra praticamente metade da população argentina. Ele não está numa situação política das mais confortáveis, porque governa um país em grave crise social, abalado pela superinflação (mais de 50% ao ano) e que amarga o nono calote da sua dívida externa — estimada em US$ 350 bilhões (quase R$ 2 trilhões).
São fortes as pressões contra a quarentena, mas ele resiste: “Sair sem critérios, agora, seria levar à morte milhares de argentinos”, repete. Pesquisas de opinião indicam que Fernández acertou ao balizar as decisões sobre a pandemia na Ciência, por mais drásticas que sejam para a vida econômica e social de 44 milhões: as taxas de aprovação do seu governo agora beiram 80%.
Do outro lado da bacia do Prata, no Uruguai, o presidente Luis Lacalle Pou vive situação política similar à de Fernández. A propagação do vírus entre uruguaios ocorre de maneira mais lenta do que entre argentinos — e, em ambos os casos, muito longe da curva de contágio no Brasil.
Lacalle Pou é um liberal, cujo ideário político é quase oposto ao do peronista Fernández, situado na centro esquerda. As pressões que enfrenta são, também, opostas. Parte dos uruguaios clama ao governo por medidas duras, como toque de recolher em Montevidéu. Ele resiste, com base em recomendações técnicas, e tem conseguido aumento nas taxas de aprovação. Argumenta com a necessidade de prudência na escalada de medidas sanitárias numa situação em que, por enquanto, não há risco de colapso da rede de saúde.
Cautela não significa descuido. Há dias, Lacalle Pou visitou postos militares na fronteira com o Brasil, percebido como ameaça epidemiológica. Ao mesmo tempo, agiu para garantir US$ 1,5 bilhão (R$ 8,5 bilhões) em créditos de órgãos multilaterais a fim de socorrer empresas e pessoas afetadas.
Por caminhos diferentes, e com base em recomendações científicas, os presidentes do Uruguai e da Argentina, sócios do Brasil no Mercosul, estão conseguindo atravessar a pandemia com algum êxito político.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino