Cientistas lançam alerta vermelho para a Amazônia e pedem moratória de desmatamento

Cientistas lançam alerta vermelho para a Amazônia e pedem moratória de desmatamento

18:58 - Proposta é de degradação e desmatamento zero até 2030 e combate a ilegalidades para favorecer a bioeconomia

O Painel Científico para a Amazônia (The Science Panel for the Amazon-SPA), desenvolvido por mais de 200 cientistas, anunciou um alerta vermelho para a Amazônia e recomendou aos tomadores de decisão uma moratória imediata do desmatamento em áreas que estão próximas de atingir o ponto de inflexão - ou não retorno. No Brasil, a região corresponde ao território que abrange o oeste do Maranhão, o sul do Pará e segue em direção ao Mato Grosso, Rondônia e Acre. Mais recentemente, o Sul do estado do Amazonas também tem sido afetado.

A recomendação faz parte do Sumário Executivo do documento elaborado pelo grupo, a ser lançado oficialmente na COP 26, sigla para Conferência das Partes, que reunirá em novembro, em Glasgow, na Escócia, representantes de 197 nações para discutir as mudanças climáticas e as formas de combatê-las.

A bióloga e pesquisadora Mercedes Bustamante, membro da Academia Brasileira de Ciências e professora da Universidade de Brasília (UnB) afirma que os surtos de desmatamento, a degradação provocada por queimadas, os cortes seletivos e as mudanças climáticas aproximam a Amazônia do perigoso ponto de não retorno.

-- É preciso coibir as atividades ilegais para que seja possível estabelecer uma economia baseada na biodiversidade da floresta, aproveitando os recursos biológicos para desenvolver cadeias produtivas baseadas na biodiversidade da Bacia Amazônica. A bioeconomia precisa ganhar escala e incentivos apropriados -- diz Mercedes.

De acordo com o documento, aproximadamente 17% das florestas amazônicas foram convertidas para outros usos da terra e pelo menos outros 17% foram degradados. A maior parte do desmatamento ocorreu no Brasil, que perdeu 457.237 km² até 2020, com o desmatamento anual atingindo mais de 10 mil km² nos dois últimos anos, número que não era alcançado desde 2008. Na Amazônia colombiana a taxa de desmatamento caiu entre 2017 e 2018, mas aumentou em 2020 e chegou a 1.090 km².

O desmatamento, a degradação e o impacto da mudança do clima gera mudança no funcionamento da floresta. A Bacia do Rio Amazonas, dizem os cientistas, é um dos elementos mais críticos da Terral, pois as florestas agem como um "ar-condicionado" gigante, reduzindo as temperaturas da superfície da terra e gerando chuva dentro e fora dos trópicos. A região responde ainda pela maior descarga fluvial do planeta, com 16 a 22% do total de rios que chegam aos oceanos no mundo.

Na Amazônia vivem cerca de 47 milhões de pessoas, incluindo cerca de 2,2 milhões de indígenas, distribuídos em mais de 400 grupos, que falam mais de 300 línguas. Os cientistas lembram que os indígenas e as comunidades locais têm papel fundamental na conservação e gestão sustentável da diversidade agrícola e biológica da Amazônia, mas estão sob ameaça.

O Brasil responde por 60% na Bacia Amazônica - 40% estão em países vizinhos - e os cientistas defendem um acordo regional de combate às atividades ilícitas.

Dois terços dos cientistas que participaram do estudo vivem na Amazônia e o grupo integra também cientistas indígenas. Segundo eles, a Bacia Amazônia é única e insubstituível e o bioma Amazônia é crucial para o sistema climático terrestre

Além de frear o desmatamento, o documento defende ainda a urgência de restaurar os ecossistemas, que reúnem mais de 10% das espécies vegetais e animais do planeta.

O grupo afirma que alcançar desmatamento e degradação zero na Amazônia até 2030 depende de esforços conjuntos de formuladores de políticas públicas, do setor financeiro e privado, da sociedade civil e da comunidade internacional.

O Painel Científico para a Amazônia (SPA) integra a Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável (SDSN) e foi estabelecido após líderes da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname e assinarem o Pacto de Letícia para a Amazônia, em 2019. O acordo compromete os governos dos sete países a conservar a Amazônia e sua biodiversidade.

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