China e Brasil têm que melhorar o diálogo’

China e Brasil têm que melhorar o diálogo’

Para o economista Ma Jun, troca de informações atrairia fundos ‘verdes’ à agricultura brasileira

Ma Jun, presidente do Instituto de Finanças e Sustentabilidade da China (IFS) e um dos economistas mais respeitados da Ásia, acredita que o aumento dos investimentos chineses em iniciativas sustentáveis na agropecuária brasileira passa necessariamente pela melhoria do diálogo entre os dois países. Um caminho para isso, diz, seria criar um mecanismo permanente de troca de informações entre produtores, governos e empresas brasileiros e chineses.

Ex-membro do Comitê de Política Monetária do banco central chinês e presidente do Comitê de Finanças Verdes do país, Ma Jun afirma que existem mais de 700 fundos de investimentos “verdes” na China, com trilhões de dólares em ativos. Com mais diálogo entre os países, diz ele, os produtores agrícolas brasileiros poderiam ter acesso a esses recursos.

“Um dos exemplos é o projeto brasileiro de baixo carbono na produção de carne bovina, que não conhecíamos”, disse ele nesta quinta-feira durante o evento Diálogo Brasil-China sobre Agricultura Sustentável, organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China e o IFS. “Não é falta de dinheiro, mas de informação”.

Na fala, Ma Jun fez referência ao Programa ABC+, que incentiva práticas sustentáveis no campo - a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, mencionou o programa durante o evento. Ela destacou que a adesão a práticas agrícolas sustentáveis cresce quando oferecem rentabilidade aos produtores. “Esse elemento abre oportunidades para investidores estrangeiros. Eu os convido a conhecer melhor nossas muitas oportunidades em finanças verdes”, declarou a ministra.

Para Ma Jun, a troca de informações entre Brasil e China tem que abranger também os consumidores, em um processo de esclarecimento sobre a origem dos produtos que eles estão comprando. “Não sei se todos os consumidores entendem o que ouvem sobre origem do grão, da soja, do pesticida ou do fertilizante usados. Até o momento, na China, essas informações são escassas. Com um fluxo melhor de informação, o sistema ficará mais transparente, o que ajudará a certificar a cadeia de produção”, afirma.

O acesso a investimentos verdes pode contribuir para reduzir o desmatamento, diz o economista. “Se o custo do dinheiro for baixo, teremos produtos mais sustentáveis, incluindo a soja. Isso pode evitar o desmatamento e a perda de biodiversidade”, destacou.

Ma Jun disse que uma ideia para melhorar o diálogo seria organizar um mecanismo permanente para troca de informações sobre oportunidade de investimentos. "Assim, pode-se criar oportunidade para colaboração real entre os órgãos e setores financeiros dos dois países", afirmou.

No evento, o ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China, Tang Renjian, disse que o aumento do protecionismo desafia o desenvolvimento sustentável. “Crescimento sustentável é uma missão longa, que exige esforço e cooperação”, disse ele, em vídeo.

Para “injetar um novo ímpeto” nesses esforços, Tang Renjian sugeriu que Brasil e China melhorem sua comunicação e troca mútua de experiências, priorizem a inovação tecnológica para agricultura, como novas cultivares e respostas às mudanças climáticas, reforcem o comércio bilateral “sadio e estável” e ampliem a cooperação multilateral, com alinhamento de posições nos órgãos internacionais.

Comunicação
Li Yebin, vice-presidente da empresa chinesa Pengdu Agriculture & Animal Husbandry, que atua no Brasil e na Argentina, elogiou as leis ambientais brasileiras e disse que a sustentabilidade da produção agropecuária daqui também é responsabilidade da China, que continuará importando alimentos.

“Queremos conseguir oferta sustentável do Brasil e temos interesse em ajudar a organizar uma maneira sustentável de cadeia, que seja apoiada na agricultura sustentável, para dar oferta constante para o nosso mercado. São nossas preocupações também”, pontuou.

A presidente da divisão Crop Science da Bayer no Brasil, Malu Nachreiner, também defendeu a melhoria do diálogo entre os países. “Há grandes oportunidades para o estabelecimento de soluções comuns para a agricultura sustentável. Melhorar a comunicação, intercambiar conhecimento, tecnologia e informações de origem e aperfeiçoar a conexão entre os setores financeiro dos dois lados pode ser um roteiro para a cooperação bilateral”, afirmou.

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