China critica histórico dos EUA no combate ao aquecimento global, e Xi se reúne com Merkel e Macron

China critica histórico dos EUA no combate ao aquecimento global, e Xi se reúne com Merkel e Macron

19:16 - Segundo os chineses, os americanos são responsáveis por atrasar o cumprimento das metas climáticas traçadas pelo Acordo de Paris devido à sua saída do pacto durante o governo Trump

O governo da China indicou nesta sexta-feira que não está disposto a aceitar a liderança reivindicada pelo americano Joe Biden na questão climática. A Chancelaria chinesa criticou o histórico dos Estados Unidos no que diz respeito ao aquecimento global, em meio a uma visita do enviado climático de Biden, John Kerry, a Xangai. A tentativa de buscar maior cooperação sino-americana no assunto ocorre uma semana antes da Cúpula de Líderes sobre o Clima, evento virtual organizado pela Casa Branca que reunirá 40 chefes de Estado e governo, entre eles o presidente Jair Bolsonaro.

Em sua entrevista coletiva diária, o porta-voz da Chancelaria de Pequim, Zhao Lijian, disse a repórteres que os americanos são responsáveis por atrasar o cumprimento das metas climáticas traçadas pelo Acordo de Paris, firmado em 2015.

— Foram os EUA que anunciaram sua saída do Acordo de Paris em 2017 e pararam de implementar suas metas, o que impediu que o mundo avançasse em direção ao cumprimento dos objetivos do pacto — afirmou ele, dizendo que os americanos “deveriam ter vergonha” de ter abandonado o pacto e que precisam deixar claro como irão compensar o tempo perdido.

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Em junho de 2017, o governo do ex-presidente Donald Trump retirou Washington do pacto, afirmando que seus termos “prejudicariam” a economia americana e iriam pôr o país em “desvantagem permanente”. Horas depois de sua posse, em 20 de janeiro deste ano, Biden retornou ao acordo, em que os países se comprometeram com metas voluntárias para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Os comentários de Zhao foram feitos pouco antes de o presidente Xi Jinping participar de uma cúpula virtual com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Emmanuel Macron. Na agenda de Xi não constam encontros com Kerry durante a visita do americano à China, última etapa de uma turnê mundial para negociar compromissos ambientais mais fortes.

O governo Biden tenta novamente transformar os EUA em uma liderança na ação contra a crise global, após os retrocessos durante o governo de seu antecessor.

A Casa Branca deverá anunciar uma meta atualizada para reduzir suas emissões em 50% até o fim desta década, quase o dobro do anteriormente prometido. O cumprimento do objetivo demandaria mudanças drásticas nos setores energético e de transportes, por exemplo.

A expectativa é que o anúncio formal seja feito durante a cúpula da semana que vem, que contará com a presença de vários dos líderes dos países mais poluentes do planeta e de nações menores, especialmente vulneráveis às consequências da crise climática. O objetivo americano é convencê-los a assumir compromissos climáticos mais contundentes antes da COP-26, conferência climática da ONU, que acontecerá em novembro, na Escócia.

Durante a conferência com Macron e Merkel, Xi disse que se opõe à taxa europeia sobre o carbono, caracterizando-a como uma "barreiras comercial" criada sob o pretexto de preservar o ambiente.

— A resposta às mudanças climáticas é uma causa comum da Humanidade — disse o presidente chinês, segundo o canal estatal CCTV. — Mas isso não pode ser converter em um assunto político, em um alvo de ataque entre países ou em pretexto para a criação de barreiras comerciais.

Em março, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução para sobretaxar importações — de energia, cimento, alumínio, aço, etc — vindos de fora do mercado comum europeu. A taxa deverá ser proposta pela Comissão Europeia até o meio do ano e a previsão é que entre em vigor em 2023.

O líder chinês, no entanto, disse que está disposto a aumentar a cooperação com os países europeus e defendeu maior colaboração internacional no combate à crise climática e à Covid-19, segundo a agência estatal Xinhua. Ele teria dito ainda esperar que países desenvolvidos forneçam auxílio financeiro e tecnológico para nações em desenvolvimento na batalha contra o aquecimento global.

Segundo a Xinhua, Xi se comprometeu também a ratificar a emenda Kigali do Protocolo de Montreal, um acordo internacional para reduzir gradualmente o consumo e a produção de hidrofluorcarbonetos. O presidente chinês defendeu ainda as metas chinesas de começar a reduzir as emissões de dióxido de carbono "antes de 2030" e de atingir a neutralidade na emissão até 2060, anunciadas no ano passado.

Em um comunicado paralelo, a Presidência francesa disse que Merkel e Macron sinalizaram esperar que o gigante asiático adote "objetivos mais ambiciosos". O governo alemão, em paralelo, emitiu um comunicado afirmando que os líderes europeus deram boas-vindas ao comprometimento chinês de chegar à neutralidade de carbono até 2060 e apoiam seus objetivos de redução a curto prazo.

Os três líderes também discutiram a pandemia de coronavírus, o estoque global de vacinas contra a doença, e a relação comercial entre Pequim e a União Europeia, afirmou a porta-voz de Merkel, Ulrike Demmer.

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