China cria fundo de R$ 1,29 bilhão para preservação da biodiversidade em países em desenvolvimento

China cria fundo de R$ 1,29 bilhão para preservação da biodiversidade em países em desenvolvimento

Anúncio foi feito durante conferência da ONU que acontece em Kunming, a menos de três semanas da COP-26

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta terça-feira o lançamento de um fundo de US$ 233 milhões (R$ 1,29 bilhão) para apoiar a preservação da fauna e da flora em países em desenvolvimento. O anúncio foi feito durante o segundo dia da conferência da ONU sobre a biodiversidade, em que as nações debatem um acordo global para conter a extinção de espécies.

Xi participou virtualmente do evento que acontece em Kunming, no Sudoeste do país, em que diplomatas, cientistas e ativistas se reúnem para elaborar o arcabouço do pacto. O documento, que busca conter e reverter a perda de biodiversidade e a destruição da natureza, deverá ser finalizado em uma etapa presencial da conferência em maio de 2022.

As discussões sobre biodiversidade são um preâmbulo para a COP-26, a conferência da ONU sobre o clima, que acontecerá em novembro em Glasgow, na Escócia. Apesar de ser paralelo às discussões climáticas, o evento que começou nesta segunda-feira também usa a sigla COP. Trata-se da 15a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, ou a COP-15.

— Países emergentes precisam de ajuda e apoio. A solidariedade deve ser reforçada para permitir que nações em desenvolvimento se beneficiem de uma forma mais justa — disse Xi, cujo país sozinho é responsável por quase um quarto das emissões do planeta.

Especialistas estimam que será necessário cerca de US$ 1 trilhão por ano para construir cadeias sustentáveis de fornecimento e ajudar nações emergentes. Em 2019, no entanto, apenas US$ 150 bilhões foram investidos em ações desse tipo, e lideranças de países em desenvolvimento vinham solicitando mais recursos para ajudá-los na preservação da biodiversidade, demanda similar à adaptação às mudanças climáticas, também aquém do necessário.

Aberto para contribuições
Xi confirmou que o Fundo de Biodiversidade de Kunming estará aberto a contribuições de terceiros, e anunciou um novo programa que fortalecerá a proteção em 230 mil km2 de parques florestais. As regiões, que englobam os habitats naturais de pandas, tigres e leopardos, além de nascentes de alguns dos principais rios chineses, cobrem cerca de 30% da biodiversidade terrestre do país, afirmou o presidente.

Em um discurso na abertura da COP-15 na segunda-feira, o vice-premier Han Zheng já havia afirmado que o governo chinês está comprometido com a cooperação internacional no que diz respeito à conservação, incluindo no megaprojeto de infraestrutura chinês Cinturão e Rota.

Especialistas, contudo, afirmam que o recém-anunciado financiamento é apenas parte do problema e que os esforços chineses para tornar sua cadeia global de fornecimento e realizar investimentos sustentáveis no exterior devem ser maiores:

— Se a China está controlando sua pegada (de carbono) doméstica, isso se traduz em uma piora fora do país no que diz respeito à soja, por exemplo. Caso isso continue, esses países não conseguirão manter sua biodiversidade — disse à Reuters Alice Hughes, bióloga e chefe de delegação da Fundação de Conservação de Biodiversidade e Desenvolvimento Verde na China, uma ONG sediada em Pequim.

Segundo dados da ONU, há cerca de um milhão de espécies de fauna e flora sob risco de extinção, e nenhuma das metas anteriores para fazer frente ao problema, firmadas em uma reunião no Japão em 2020, foi cumprida. Entre as causas da extinção estão não só a invasão humana, mas também a superexploração, a contaminação, a propagação de espécies invasoras e mudanças climáticas.

ONU decide contra Greta
Um dos objetivos das negociações atualmente é dar status de proteção a 30% das terras e oceanos do planeta até o fim da década. A medida, apoiada por uma ampla coalizão de países liderados pela França e pela Costa Rica, visa também limitar a contaminação agrícola e por plásticos.

Não há, contudo, aceitação unânime: segundo observadores, o Brasil, criticado por sua desastrosa política ambiental sob o comando de Jair Bolsonaro, seria um dos opositores. Outros países emergentes, como a África do Sul, também se opõem à medida.

Também nesta terça, um painel da ONU disse que não pode tomar uma decisão imediata sobre uma reclamação formal realizada pela ativista Greta Thunberg e outros adolescentes de que a inação no combate à emergência climática viola os direitos das crianças. De acordo com as Nações Unidas, o assunto deve ser primeiramente tratado nos tribunais nacionais.

A ação havia sido apresentada ao Comitê da ONU sobre os Direitos das Crianças em 2019, e desde então um painel de 18 integrantes vinha conduzindo audiências e deliberando sobre o assunto. Nela, os 15 ativistas argumentam que os governos de França, Turquia, Alemanha, Argentina e Brasil sabiam há décadas sobre os impactos das mudanças climáticas, mas não foram capazes de conter suas próprias emissões.

— Eu não tenho dúvidas de que este julgamento irá assombrar o comitê no futuro — disse a americana Alexandria Villaseñor, uma das jovens que apresentaram a demanda. — Quando os desastres climáticos forem ainda mais sérios do que são agora, o comitê irá se arrepender severamente de não ter feito a coisa certa quando teve a oportunidade.

Os advogados das crianças afirmaram que levarão as demandas às Justiças nacionais, mas que o processo provavelmente será demorado e infrutífero.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino