China aproveita reunião com enviado de Biden para o clima e pede melhora geral na relação com EUA

China aproveita reunião com enviado de Biden para o clima e pede melhora geral na relação com EUA

18:44 - John Kerry se encontrou com os mais altos funcionários chineses de política externa, que pressionaram por uma mudança em posições do governo americano; ele, por sua vez, respondeu que questão climática não é 'ideológica'

O governo chinês aproveitou a visita do enviado especial do presidente americano Joe Biden para o clima, John Kerry, para afirmar que espera discussões amplas sobre uma melhora geral na relação entre Pequim e Washington.

Na noite de quarta-feira, durante uma reunião por vídeo com Kerry, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que qualquer cooperação maior em questões sobre mudança climática está diretamente ligadas a essa melhora, pontuando que os EUA "deveriam parar de ver a China como uma ameaça e um oponente, e parar de tentar sitiar e bloquear a China em todo o mundo”.

"O lado dos Estados Unidos quer transformar a cooperação climática em um 'oásis' nas relações entre China e EUA", disse Wang em um comunicado. "Mas em volta do oásis há um deserto, e o oásis pode ser desertificado muito brevemente."

Wang disse a Kerry que Washington deve dar o primeiro passo para melhorar os laços que se desgastaram durante o governo do presidente Donald Trump, quando uma guerra comercial estourou e as tensões aumentaram entre as duas maiores economias do mundo por questões como a indústria de tecnologia e vistos para estudantes e jornalistas, além de acusações americanas de violações dos direitos humanos por Pequim.

Biden manteve a essência das políticas de Trump, e afirmou que EUA e China estão em uma "competição extrema".

No caso do debate global sobre as mudanças climáticas provocadas pela ação do homem, Biden tenta retomar o protagonismo dos Estados Unidos, depois que Trump tirou o país do Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões causadoras do efeito estufa. Ao mesmo tempo, o presidente americano deseja manter o tema fora da rivalidade com a China em outros campos. Os dois países são os maiores emissores globais de poluentes.

Durante sua visita à China, Kerry recebeu a deferência de conversar com os mais altos funcionários chineses de política externa. Além de Wang, ele conversou nesta quinta-feira com o vice-premier chinês, Han Zheng, e com Yang Jiechi, responsável pelas relações exteriores no Partido Comunista.

Yang disse que Pequim está aberta ao diálogo e à cooperação com Washington em questões climáticas, prevenção de epidemias e outras questões internacionais e regionais, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores chinês. Ele, no entanto, também pediu aos EUA que "corrijam os erros" e ponham o relacionamento bilateral de volta aos trilhos o mais rápido possível.

Já o vice-premier Han pediu aos Estados Unidos que "criem uma boa atmosfera de cooperação", segundo a agência de notícias estatal Xinhua.

Kerry, no entanto, disse a repórteres nesta quinta-feira, após as reuniões, que a crise climática não é política, pedindo aos líderes chineses que alcancem a "maior ambição" para conter o aumento da temperatura do planeta.

— Minha resposta a eles foi que o clima não é ideológico, nem partidário, nem uma arma geoestratégica — afirmou o enviado de Biden, alertando que embora a China esteja fazendo muito para combater os níveis crescentes de emissões gases de efeito estufa, agora está emitindo mais que todos os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o chamado "clube dos ricos", e que "pode fazer mais".

Durante a conversa com Kerry, Wang ainda reiterou três demandas de Pequim: que os EUA não deveriam tentar subverter o modelo de governança da China, não deveriam interferir em Taiwan, que Pequim considera uma "província rebelde", e que deveriam remover as sanções vinculadas a acusações de violações dos direitos humanos dos muçulmanos da etnia uigur da província chinesa de Xinjiang.

Mesmo com as reuniões tomando proporções mais abrangentes que a discussão sobre as mudanças climáticas, analistas do clima esperam que as negociações tragam promessas mais ambiciosas de ambos os países para combater as emissões de gases de efeito estufa na cúpula do clima de Glasgow, na Escócia, no início de novembro.

— O G=2 [China e Estados Unidos] precisa perceber que, além de seu oásis e deserto bilateral, todo o planeta está em jogo — disse Li Shuo, um conselheiro sênior para o clima do grupo ambientalista Greenpeace. — Se eles não fizerem o progresso climático conjunto rápido o suficiente, logo tudo ficará deserto.

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