Chanceler colombiana prepara visita a Brasília para fortalecer parceria entre governos Duque e Bolsonaro

Chanceler colombiana prepara visita a Brasília para fortalecer parceria entre governos Duque e Bolsonaro

Com a chegada de Carlos França ao Itamaraty, as relações com o governo argentino melhoraram e existe por parte da Chancelaria brasileira a intenção de continuar avançando nesse sentido. Prova disso foi o recente encontro entre França e o chanceler argentino Felipe Solá, no Rio, para comemorar os 30 anos da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc), a convite do governo brasileiro.

O Itamaraty está acertando com o governo da Colômbia a visita da vice-presidente e chanceler do país, Marta Lucía Ramírez, para a próxima semana. A iniciativa partiu do governo de Iván Duque, que nos últimos tempos vem buscando fortalecer seu vínculo com o Brasil de Jair Bolsonaro. Ambos governos têm afinado sua sintonia e fortalecido uma articulação regional de direita que incomoda outros vizinhos, principalmente a Argentina de Alberto Fernández.

A dobradinha Brasil-Colômbia foi determinante, por exemplo, na recente eleição do novo presidente da Corporação Andina de Fomento (CAF), banco de desenvolvimento da América Latina. Numa disputa difícil entre o colombiano Sergio Díaz Granados e o argentino Christian Asinelli, venceu o candidato de Duque, com o apoio do Brasil de Bolsonaro.

No ano passado, os governos brasileiro e colombiano também foram essenciais na reeleição do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), o uruguaio Luis Almagro, e na eleição de Mauricio Claver-Carone, ex-funcionário do governo de Donald Trump, como primeiro presidente americano do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os governos da Argentina e México foram dois dos principais opositores à candidatura de Claver-Carone.

Em 26 de julho último, as chancelarias do Brasil e da Colômbia aderiram à iniciativa dos Estados Unidos de condenar a repressão em Cuba. Um grupo de 21 países assinou uma declaração conjunta na qual afirma que "as democracias de todo o mundo estão se unindo para apoiar o povo cubano, pedindo ao governo cubano que respeite as demandas dos cubanos por direitos humanos universais". A maioria dos governos de países sul-americanos, entre eles os de Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai, não firmou o documento, independentemente de sua tendência política.

Em Buenos Aires, existe incômodo com o já chamado "eixo Brasília-Bogotá", que eventualmente inclui também o Equador agora governado pelo direitista Guillermo Lasso. Com a chegada de Carlos França ao Itamaraty, as relações com o governo argentino melhoraram e existe por parte da Chancelaria brasileira a intenção de continuar avançando nesse sentido. Prova disso foi o recente encontro entre França e o chanceler argentino Felipe Solá, no Rio, para comemorar os 30 anos da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc), a convite do governo brasileiro.

Mas a tensão entre a equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes e seus pares argentinos abriu uma crise no Mercosul, que dificulta o relacionamento. A isso somam-se os permanentes ataques de Bolsonaro à Argentina e a ausência total de um diálogo entre os dois chefes de Estado.

Já com a Colômbia, o relacionamento flui em várias direções. Existem opiniões e posições compartilhadas em matéria de questões sensíveis como Venezuela e Cuba; uma predisposição do presidente Duque em aprofundar a relação com Bolsonaro (existe a possibilidade de uma visita do chefe de Estado colombiano a Brasília em outubro); e sintonia em agendas difíceis para o Brasil, como a do meio ambiente.

Segundo fontes colombianas, o governo Duque cogita, entre outras iniciativas bilaterais, propor ao Brasil uma posição conjunta para levar à próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Cop-26), que ocorrerá em novembro em Glasgow, na Escócia.

A vista da nova chanceler colombiana, que assumiu o cargo recentemente em meio à crise provocada pela onda de protestos contra o governo Duque e os questionamentos internacionais à repressão aos manifestantes, tem um claro objetivo: consolidar uma aliança regional que para seu país hoje é fundamental.

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