Chanceler argentino repudia reação de Bolsonaro, e uruguaio rejeita apoio

Chanceler argentino repudia reação de Bolsonaro, e uruguaio rejeita apoio

Brasileiro criticou vitória peronista e declarou preferência por candidato de oposição no Uruguai

As reações de Jair Bolsonaro às eleições no Uruguaí e na Argentina não foramb em recebidas pelos vizinhos. No Uruguai, o candidato de centro-direita Luis Lacalle Pou, que disputa o segundo turno em 24 de novembro e foi endossado pelo brasileiro, tentouse afastardo apoio nesta quarta (30).

`Não me parece uma coisa boa que diferentes políticos, e nesse caso um governante, opinem sobre o que pode acontecerem outro país`, afirmouao jornal El Observador. Ao jornal O Estado de S. Paulo na terça (29}, Bolsonaro de clarou que nunca teve problemas com o atual presidente uruguaio, Tabarê Vázquez, mas que prefere vitória de Lacalle Pou, com quem disse ter mais proximidade no pensamento econômico.

O Uruguai é desde 2005 comandado por coalizão de centro-esquerda, a Frente Ampla. O candidato do grupo, Daniel Martínez, venceu o primeiro tumo no domingo (27), mas terá que disputar segunda rodada contra o senador oposicionista, da sigla de centro- dí reita Partido Nacional. Antes do primeiro turno, Martínez disseem entrevista à agência de notícias AFP que estava pronto para negociar com o brasileiro caso vencesse.

`Há valores que Bolsonaro expressa e coisas que [ele] faz que, não vou mentir, eu seria hipócrita se dissesse que concordo com elas`, afirmou. `Tambémnão gostode [Donald] Trump. Isso não significa que vamos ter um problema. Meu dever é melhorar as relações entre os povos.` O governo uruguaio convocou nesta quinta {31) o embaixador brasileiro em Montevidéu, Antônio Simões, para que ele dê explicações sobre as declarações de Bolsonaro.

As críticas do brasileiro ao presidente eleito da Argenti na, o peronista Alberto Fernández, também repercutiram mal. Fernández venceu o candidato de centro-direita, Maurício Macri, que buscava a reeleição e tinha recebido apoio de Bolsonaro. O chanceler da gestão de Macri, Jorge Faurie, afirmou à imprensa local ter enviado uma `carta pessoal` ao embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sérgio Danese,para condenar as críticas da família Bolsonaro à vitória de Alberto Fernández. Além de ter dito que tanto Bolsonaro quanto seu filho Eduardo Bolsonaro proferiram `frases inapropriadas`, Faurie pediu `maior prudência` às declarações sobre o governo eleito na Argentina.

Ele também condenou a postagem ofensiva do deputado federal sobre Estanislao Fernández, filho do kirehnerista, nas redes sociais `Não se deve discriininar ninguém` Após o resultado das eleições no país vizinho, no domingo (27), na quai a chapa de Fernández e Cristina Kirchner derrotou o atual presidente, Bolsonaro disse que a Alient ínahavia`escolhido mal` e que não pensava em parabenizar o candidato eleito. Depois, voltou ao tema, dizendo que o Brasil está `preparado para o pior`. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, retuitou postagem que mostrava foto dele, posando com uma arma, e a de Estanislao, que faz cosplay e se veste de drag queen, fantasiado como o protagonista do animê Pokéinon.

A mensagem dizia: `Filho do presidente da Argentina/Filho do presidente do Brasil`. Eduardo acrescentou: `Obs: Isso não ê um meme`. Já o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, ao comentar a vitória de Fernández, publicou no Twitter que dizia que `as forças do mal estão celebrando` ´As forças da democracia estão lamentando pela Argentina, pelo Mercosul e por toda a América do Sul` Faurie, no entanto, disse que a chancelaria argentina nãoadotaría ações oficiais de repúdio às postagens do ministro brasileiro, porque isso construiria `uma divisão maior` e que era preciso `evitar magnificar essas questões`.

`Mantemos um diálogo importante com o Brasil. As relações são relevantes e é preciso mantê-las em uma perspectiva de colaboração.` Faurie acrescentou que a chancelaria está estudando um `mecanismo` para explicar como `transmitir o incômodo` gerado pelo comportamento do governo brasileiro.

Procurada, a embaixada brasileira na Argentina con firma ter recebido a carta do chanceler argentino e afirma ter transmitido a mensagem ao Itamaraty. A representação diplomática em Buenos Aires disse que não comentará. Com AFP Alberto Fernández não vai chamar Maduro de ditador Saem de cena as pomposas viagens internacionais, as visitas de grandes líderes mundiais e o afã de sediar cúpulas como as do G20 e a da Organização Mundial do Comércio que marcaram a gestão de Maurício Macri.

A Argentina do presidente eleito, o peronista Alberto Fernández, que assume o cargo no próximo dia 10 de dezembro, vai se preocupar mais com o país das fronteiras para dentro, em um modelo parecido com o do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, de acordo com um alto funcionário da equipe de transição de Fernández. E é justamente para o México que o próximo mandatário da Argentina viaja nesta sexta-feira fi°), quando se encontrará com AMLO (como Obrador é conhecido no país).

Além do plano de poucas viagens ao exterior, Fernández também imitará o mexicano em outras questões, como a relação com a Venezuela. A Argentina, de acordo com essa fonte, deixará o Grupo de Lima reunião de 14 países das Américas para discutir a crise no país caríbenho, não chamará Nícolãs Maduro de ditadornem reconhecerá Juan Guaidó como presidente interino do país por ser líder da Assembleia Nacional opositora. O novo governo argentino reconhece os abusos de direitos humanos apontados no relatório da Organização das Nações Unidasrealizado pela alta comissária Michelle Bachelet, mas apostará na saída da crise pormeio do diálogo e da não-interferência.

No começo da semana, em resposta a umamensagem de Maduro na q uai o ditador venezuelano parabeniza o peronista pela eleição, Fernández agradeceu escrevendo que a `América Latina deve trabalhar unida para superara pobreza e a desigualdade de que padece`. `A plena vigência da democracia é o caminho para alcançar isso.

` Para o presidente eleito, as ações que a Argentina vinha tomando, como incentivar o Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca), acordo da Organização dos Estados Americanos que poderia autorizar uma ação mílitarna Venezuela, tinham potencial para levar a uma escalada que deixaria o país sem outra alternativa a não ser participar de uma intervenção a pedido dos Estados Unidos ou capitaneada por eles. Sobre as declarações do presidente brasileiro, o en torno de Fernández diz que o argentino não está preocupado e que o comércio entre os países não será afetado por uma diferença ideológica.

Para a equipe de transição, os presidentesnunca seidentificarão um como ou tro, mas o discurso é de que a relação que importa não é a de Fernández e Bolsonaro, mas a de Brasil e Argentina. E que, por `inércia econômica`, essa ligação sempre será forte. No entanto, entre as prioridades econômicas do próximogoverno argentino está a idéia de ativar travas protede cionistas a alguns setores, o que contraria a linha de maior abertura defendida pelo governo brasileiro. A ídeía de expulsara Argentina do Mercosul, como chedegou a sugerir Bolsonaro, não é levada a sério pela equipe do presidente eleito. Não me parece uma coisa boa que diferentes políticos, e nesse caso um governante, opinem sobre o que pode acontecer em outro país LuisLaeallé Pou candidato do Partido Nacional à Presidência no Uruguai

Mantemos um diálogo importante como Brasil. As relações são relevantes e é preciso mantê-las em uma perspectiva de colaboração Jorge Faurie chanceler da gestão de Maurício Macri na Argentina

 

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino