Cepal reduz projeções e AL terá outro ano fraco

Cepal reduz projeções e AL terá outro ano fraco

A América Latina deve crescer menos do que o esperado neste ano. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) reduziu ontem as suas estimativas de crescimento para a região devido a fatores externos, como desaceleração do comércio global, e internos, como consumo e investimento menores.

Segundo a Cepal, a América Latina deve crescer 1,3% neste ano, menos do que 1,7% previsto em dezembro. Brasil e México, as duas maiores economias da região, tiveram suas estimativas revistas para baixo. A projeção de expansão para o Brasil foi cortada de 2% para 1,8%. A do México, de 2,1% para 1,7%.

Já a estimativa para a Argentina continua a mesma. A Cepal prevê que para o PIB argentino uma contração de 1,8% neste ano.

A entidade, com sede em Santiago, manteve também as estimativas para o Chile (3,3%), a Colômbia (3,3%) e o Peru (3,6%).

Daniel Titelman, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal, afirma que as projeções foram reduzidas por causa da deterioração das condições externas. Há uma mudança de ciclo. Se até 2017 se falava em aceleração sincronizada, agora se fala em desaceleração sincronizada, diz. Esse menor crescimento vem acompanhado de menor dinâmica do comércio mundial. A Organização Mundial do Comércio (OMC) cortou a projeção de crescimento do comércio de 3,7% para 2,6% neste ano. Esse contexto afeta o crescimento da região.

Alberto Ramos, economistachefe para América Latina do banco Goldman Sachs, espera para 2019 um desempenho tão medíocre quanto o do ano passado. Infelizmente, será mais do mesmo: crescimento muito baixo para o potencial da região. As principais economias estão em posição muito débil, particularmente o Brasil, que não ganha fôlego mesmo depois do fim da recessão, argumenta.

Para Ramos, no entanto, pesa mais o grau de incerteza política nas maiores economias do que fatores externos. No Brasil, há ruído político entre o Executivo e o Legislativo. No México, preocupação com o grau de intervenção do Estado na economia e riscos de maior heterodoxia macroeconômica.

A Argentina, por sua vez, enfrenta um cenário econômico complicado, com queda da atividade e inflação de dois dígitos, e tem um futuro incerto devido à eleição presidencial de outubro.

Ernesto Revilla, economistachefe do banco Citi para a América Latina, acredita que a inflação na Argentina deve começar a cair em maio e encerrará o ano em 33%. A atividade, afirma, pode começar a se recuperar no segundo ou terceiro trimestre. Tudo vai depender da disciplina que tem o governo para manter a política monetária e fiscal segundo compromissos com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Pesquisas de intenção de voto indicam que a reeleição do presidente Mauricio Macri está ameaçada, e há chances de o país voltar a ter um governo mais intervencionista, em caso de vitória do kirchnerismo.

De modo geral, diz Revilla, 2019 será um pouco pior para a região do que se esperava há poucos meses, mas melhor do que foi 2018.

O Citi prevê que a América Latina cresça 1,9% neste ano, contra 1,4% em 2018. O Brasil deve crescer 1,8%, e o México, 1,4%. A Argentina ficaria estagnado, prevê o banco. Financial Times

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