Carlos França, substituto de Ernesto, é diplomata de pouca expressão no Itamaraty

Carlos França, substituto de Ernesto, é diplomata de pouca expressão no Itamaraty

18:49 - Embaixador tem carreira discreta e histórico de serviços na Bolívia, Paraguai e EUA

O embaixador Carlos Alberto Franco França foi confirmado nesta segunda (29) para substituir Ernesto Araújo no Itamaraty.

França, 56, ganhou a confiança de Bolsonaro no período em que chefiou o cerimonial do Palácio do Planalto. Tanto que, posteriormente, ele foi nomeado para comandar a assessoria especial da Presidência.

Graduado em direito, ele entrou no serviço diplomático em 1991.

França é um diplomata discreto, pouco afeito a holofotes e tem uma carreira ligada ao cerimonial do Itamaraty.

A área do cerimonial é estratégica na diplomacia, uma vez que organiza os diversos eventos da chancelaria e tem contato próximo com o ministro de Estado ou, no caso do Planalto, com o presidente.

Assim como Ernesto quando foi indicado para o Itamaraty, França só foi promovido recentemente a embaixador e nunca chefiou um posto no exterior.

Mas tem uma diferença em relação ao antigo chanceler, segundo colegas na carreira: é considerado um diplomata tradicional e pragmático, sem professar do radicalismo conservador de Ernesto e distante da influência do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo. ​

Apesar disso, membros da carreira temem que seu pouco tempo no topo da carreira e o fato de não ter chefiado nenhuma embaixada no exterior signifiquem a manutenção da influência da ala ideológica na chancelaria. Principalmente do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do assessor internacional da presidência, Filipe Martins.

Fora do Brasil, França ocupou postos nas embaixadas do Brasil na Bolívia (em duas ocasiões), no Paraguai e nos Estados Unidos.

As relações Brasil-Bolívia foram inclusive tema de sua tese do Curso de Altos Estudos, um trabalho acadêmico que diplomatas precisam fazer antes da promoção para ministro de segunda classe. França elaborou a tese "Os empreendimentos hidroelétricos do rio Madeira e as relações Brasil-Bolívia: análise das perspectivas de integração energética bilateral".

Ele teve ainda uma passagem pela iniciativa privada. Entre 2015 e 2017, licenciou-se do Itamaraty para ser diretor de assuntos corporativos e negócios estratégicos da holding do grupo Andrade Gutierrez.

Colegas descrevem França como um profissional tranquilo e ponderado, mas destacam que ele tem perfil discreto, teve uma carreira de pouca expressão na instituição e não é conhecido como um formulador de política externa.

Com a confirmação da escolha pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele desbancou concorrentes de peso e com trajetória mais extensa no Itamaraty.

Um dos nomes mais citados, o embaixador do Brasil em Paris, Luís Fernando Serra, atingiu o topo da carreira em 2005 e está em sua quinta missão como chefe de posto.

A embaixadora Maria Nazareth Farani de Azevêdo, atual consul-geral em Nova York, foi por sua vez embaixadora do Brasil na ONU, em Genebra. Ela passou a ser lembrada como possível chanceler desde que bateu boca com o ex-deputado Jean Wyllys, do PSOL, na ONU. Mas, internamente, foi ataca por bolsonaristas por ter sido chefe de gabinete do ex-chanceler Celso Amorim (PT).

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