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Candidatos a presidente do Brasil deveriam observar a crise argentina

Candidatos a presidente do Brasil deveriam observar a crise argentina

Reformas feitas apenas em parte levaram Macri a perder chance de ajustara economia; serve de lição

O governo do presidente Mauricio Macri enfrentou nos últimos dias novos desdobramentos da crise financeira que vem empurrando a Argentina para a recessão. Na terça-feira, enquanto a equipe econômica negociava nos EUA o aumento da ajuda de US$ 50 bilhões aprovada pelo FMI (obteve ontem um adicional de US$ 7,1 bilhões), para passar confiança ao mercado, o país enfrentava sua quarta greve geral em menos de três anos; e o presidente do Banco Central, Luis Caputo, renunciava ao cargo. 

Ao adiar ou suavizar a implementação das reformas estruturais necessárias para recolocar a economia nos trilhos, Macri perdeu uma oportunidade histórica e ainda deu fôlego à oposição kirchnerista, que tenta obter dividendos políticos sobre os efeitos negativos da crise, germinada por eles próprios. Nesse sentido, a economia poderá custar caro não só ao futuro poli tico de Macri, mas colocará em risco o projeto de tirar a Argentina de um longo ciclo de populismo, que empobreceu uma das nações mais prósperas do continente. Eleito com ampla maioria, Macri deveria ter investido logo na aplicação do ajuste fiscal prometido, quando dispunha de força política e podia ousar no confronto de interesses corporativos e sindicais. 

Ao buscar compor com forças políticas sem compromisso com o país, o presidente argentino perdeu a janela de oportunidade para implementar medidas duras e necessárias. Estaria agora colhendo dividendos. Em vez disso, como sempre, a realidade econômica cobrou o seu preço. Instabilidades internas e externas encontraram a casa desarrumada, e a vulnerabilidade fiscal do país espantou investidores, tornando a tendência de alta do dólar um problema de confiança, sobretudo em relaçãoàs condições dea Argentina honrar o pagamento aos credores. 

Nosso principal sócio no Mercosul, os problemas na Argentina ecoam no Brasil. Ontem o Indec (o IBGE argentino) anunciou que o PIB caiu 2,7% em julho, reforçando temores de recessão. A Argentina também sofre com o impacto da seca em suas exportações agrícolas, sobretudo a soja, e a forte desvalorização cambial numa economia dolarizada. O país vizinho é o terceiro maior parceiro de nossa balança comercial e o principal destino de nossos produtos manufaturados. 

O caso argentino é um alerta para o próximo presidente do Brasil. Seja lá quem vencer o pleito, o enfrentamento dos desafios fiscais é incontornável, especialmente num cenário mundial de alta de juros nos EUA. O novo ocupante do Palácio do Planalto terá que encarar as reformas estruturais, que jádeveriam ter sido implementadas, sobretudo a da Previdência. E ainda se preocupar com os efeitos da recessão argentina nas exportações brasileiras.

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