Buscando reposicionar diplomacia dos EUA, Biden reunirá líderes internacionais em 'cúpula pela democracia'

Buscando reposicionar diplomacia dos EUA, Biden reunirá líderes internacionais em 'cúpula pela democracia'

20:42 - Evento virtual ocorrerá entre os dias 9 e 10 de dezembro, mas lista de convidados ainda não foi divulgada

A Casa Branca anunciou nesta quarta-feira que o presidente Joe Biden realizará, em 9 e 10 de dezembro, uma "cúpula pela democracia", reunindo líderes de governos e da sociedade civil. O objetivo, diz o governo americano, será "impulsionar compromissos e iniciativas em três temas centrais: defesa contra o autoritarismo, luta contra a corrupção e promoção dos direitos humanos".

Biden, que tomou posse em 20 de janeiro, prometia desde a campanha eleitoral reunir líderes globais durante o seu primeiro ano de mandato para o debate do tema. A lista de convidados ainda não foi divulgada e, perguntado sobre o assunto, o porta-voz do Departamento de Estado, Edward Price, disse que o objetivo do evento é "engajar, ouvir e falar honestamente sobre os desafios que as democracias enfrentam" e "apresentar ideias concretas":

— Nós entramos em contato com um grupo regionalmente diverso de democracias bem consolidadas, mas também emergentes, cujos progressos e compromissos irão criar um mundo mais justo e pacífico — disse ele, afirmando que o objetivo americano é ser "o mais inclusivo possível" e que mais informações serão divulgadas nas próximas semanas.

Segundo uma fonte ouvida pelo Washington Post, a escolha final dos convidados levará em conta quais nações "parecem receptivas" à ideia e a colaborações. A cúpula, disse a fonte, não almeja "definir quem é ou não uma democracia", mas sim reforçar o respeito ao Estado de direito.

Trata-se também de uma tentativa de Biden de reposicionar Washington no cenário internacional: como já disse o presidente em mais de uma ocasião, seu plano é "pôr os EUA na cabeceira da mesa" e "liderar pelo exemplo". O evento ocorrerá pouco mais de um ano após as eleições presidenciais que o levaram à Casa Branca, marcadas pela ofensiva do então presidente Donald Trump para alterar o voto popular, barrada pelos tribunais e pelo Legislativo.

Tensões sino-americanas
O evento de dezembro, que também reunirá filantropos e empresas, será o primeiro de dois: o objetivo é que nele sejam firmados compromissos cujo cumprimento será avaliado um ano depois, em um encontro presencial, disse a Casa Branca em comunicado. A nota foi divulgada horas após Biden obter duas importantes vitórias na política interna com a aprovação de dois pacotes de infraestrura e investimentos sociais que, somados, superam US$ 4 trilhões.

"O desafio na nossa era é demonstrar que democracias podem cumprir seu papel de melhorar a vida de suas populações ao enfrentar os problemas maiores que o mundo como um todo enfrenta", diz a nota.

No site do evento, a Casa Branca afirma que as "democracias e os direitos humanos estão sob ameaça no mundo" — sejam elas novas, em transição ou consolidadas. Entre as causas apontadas para isso pelos americanos, estão a desconfiança do público em relação às instituições, a corrupção, a polarização e a ascensão de líderes que "minimizam normas e instituições".

"Líderes autoritários estão cruzando fronteiras para enfraquecer democracias — vão de transformar jornalistas e ativistas de direitos humanos em alvos até interferir em eleições enquanto afirmam que seus modelos são melhores", diz o site. "Atores hostis exacerbam essas tendências ao manipular cada vez mais informações digitais e disseminar desinformação para enfraquecer a coesão democrática."

O evento é também visto como parte dos embates com a China, com quem os EUA travam disputas de poder em diversas frentes — entre elas, militares, econômicas e tecnológicas — e a Rússia. Washington acusa o Kremlin, por exemplo, de interferir nas eleições americanas de 2016 e 2020, algo que o governo russo nega veementemente.

Democracia nos EUA
A cúpula é entendida ainda como uma tentativa americana de fazer frente ao G-20, o grupo das maiores economias do mundo, do qual participam com China e Rússia e cuja reunião anual está marcada para o fim de outubro, na Itália. O G-20 reúne 19 países, além da União Europeia, que representam 80% da economia e 60% da população planetária — entre eles, outros regimes autoritários como o saudita e países onde organizações internacionais apontam um esfacelamento das normas democráticas, como a Índia e o Brasil.

Biden tenta reconsolidar a política externa americana aos olhos de outras potências ocidentais após Trump escantear iniciativas multilaterais. Até o momento, a iniciativa mais contundente do democrata nesse sentido tinha sido sua Cúpula de Líderes para o Clima, em abril.

Enquanto esteve no poder, o republicano deu início à saída americana da Organização Mundial da Saúde e retirou o país do Acordo de Paris e do acordo nuclear com o Irã de 2015, por exemplo. Os dois primeiros já foram revertidos pelos democratas, que também negociam com Teerã.

A cúpula de dezembro também coincide com o que ativistas afirmam ser uma erosão do acesso ao voto nos Estados Unidos. Segundo o Centro Brennan para Justiça, da Universidade de Nova York, 18 estados implementaram ao menos 30 leis que dificultam a participação eleitoral no país. As medidas, de modo geral, são implantadas por Legislativos estaduais comandados por republicanos que buscam limitar a participação de grupos minoritários que apoiam intensamente candidatos democratas.

O governo tenta aprovar uma lei federal para expandir e salvaguardar o direito ao voto, mas a medida é barrada pela oposição republicana no Senado. Apesar de terem maioria na Casa, os democratas precisariam do apoio de pelo menos 10 senadores da oposição para barrar a obstrução republicana, mecanismo conhecido como filibuster.

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