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Brasil vai à Cúpula do Clima sob pressão

Brasil vai à Cúpula do Clima sob pressão

Governo Bolsonaro prevê pedir recursos internacionais, mas terá dificuldades de contornar crise causada por desmate na Amazônia

O governo Jair Bolsonaro estreia hoje em uma Conferência do Clima da ONU (GOP), com o desafio de convencer os demais países de que continua a bordo dos esforços mundiais para conter as mudanças climáticas. Vai precisar fazer isso para contornar dados difíceis - como a taxa recorde de desmate da Amazônia na década e superar as críticas internacionais que recebeu ao iongo do ano.

Em um comportamento pouco usual, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sallcs, chefe da delegação brasileira, estará em Madri, onde será realizada a COP-25, durante os 14 dias da reunião. Em geral, ministros só chegam para a segunda semana do evento, deixando a primeira parte das negociações para os diplomatas. Sallcs, que tem dito que vai cobrar contrapartida financeira de países ricos por segundoseu entendimento -, estar fazendo sua parte, já estará lá a partir de hoje.

O Bra sil não indicou que deve se comprometer com nada além da meta de reduzir as emissões cm 37% ate 2025, na comparação com 2005, apresentada no Acordo dc Paris. Pelo contrário: insiste num discurso de gestões anteriores, de que c a nação que mais reduziu emissões c que, por isso, merece ser paga.

Dc fato, o País reduziu suas emissões, mas o ganho do passado vem se diluindo com a retomada do aumento do desinatamento da Amazônia - historicamente a principal fonte dc emissão dc gases de efeito estufa do Brasil. Mesmo com a queda dc emissões no setor dc energia, por causa do aumento da fatia de fontes alternativas, a alta do desmate no ano passado fez as emissões totais do País pararem de cair. E neste ano devem disparar cm razão do aumento dc 29,5% no desmatamento da Amazônia.

`O Brasil tem muita coisa feita c levará para a COP todo acervo de temas ambientais. Por outro lado, também quer receber a sinalização, finalmente, de que a promessa de recursos vultosos de países ricos para os países cm desenvolvimento, já a partir do ano que vem, se concretize`, disse Salles na semana passada ao Estado. O ministro cita como exemplo o fato dc que este ouuibro teve o menor número dc queimadas na Amazônia para o mês na serie histórica, mas não menciona que isso ocorreu depois de um agosto com as maiores queimadas desde 2010 - c que o desmatamento conti nu ou subindo no período.

Ele também justifica que o desmatamento está em alta desde 2012, mas não menciona que a taxa dc crescimento deste ano cm relação ao anterior, dc 29,5%, foi mais que o dobro da media nesses sete anos, de 11,5%. E que o Brasil tem uma meta interna de chegar 3 2020 com o desmatamento da Amazônia em 3.925 km2. Entre agosto do ano passado c julho deste ano, a taxa foi dc quase 10 mil km2, e dados preliminares indicam para mais dc 4 mil km2 desde agosto.

O plano de Salles c tentar apresentar na COP um novo fundo, com o Banco Interamericano dc Desenvolvimento. Pesa contra os apelos do Brasil, no entanto, o fato dc que o País desmantelou neste ano o Fundo 4 Amazônia. `Sc chegar na COP pedindo dinheiro, o Brasil vai bater 11a porta errada. Além do aumento do desmatamento, vai ter dc explicar a revogação do zoneamento da cana c o plano dc acabar com a moratória da soja. Além disso, nem se pc- de dinheiro assim 11a COP`, avaliou a pesquisadora aposentada do Inpc, Thelma Krug, que por anos participou como negocia- ?dora brasileira.

Salles cita o compromisso assumido pelos países ricos de levantarem US$ 100 bilhões ao ano a partir dc 2020, para ajudar os países mais pobres a descarbonizarem suas economias. O ministro quer uma parte dos recursos, e sugeriu que uns US$ 10 bilhões caberiam ao Brasil.

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