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Brasil teme que crise na Bolívia afete oferta de gás

Brasil teme que crise na Bolívia afete oferta de gás

Risco é que distúrbios saiam do controle, prejudicando fornecimento do produto

A principal preocupação do governo brasileiro em relação à cri se na Bolívia é a possibilidade de interrupção no fornecimento de gás natural. Os bolivianos fornecem cerca de 3o% de todo o gás consumido no Brasil. O temor das autoridades brasileiras é de que a situação polític a saí a de controle e o fornecimento de gás seja interrompido.

Desde a renúncia de Evo Morales, no domingo, 200 manifestantes ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente, invadiram e parala lisaram a produção de apenas uma usina de gás natural no campo dc Carrasco, Província dc Chapare, Departamento dc Cochabamba, um bastião dos apoiadores de Morales.

A estatal boliviana, Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), enviou ontem uma carta ao governo da Argentina notificando que o fornecimento dc gás pode ser afetado em razão das `limitações` atuais da usina de Carrasco. As Forças Armadas da Bolívia já retomaram o controle das instalações, mas a usina ainda opera coma metade da capacidade.

O impacto para o Brasil por enquanto é zero. Os campos operados pela Petrobrás, no sul da Bolívia, ficam em uma região relativamente tranqüila. No entanto, existe o temor de que uma instabilidade política prolongada leve a ações de extremistas em outros campos, o que poderia afetar o fornecimento para o Brasil.

Desde o início da crise, pelo menos quatro empresas estrangeiras que operam campos na Bo lívía suspenderam suas atividades de exploração em razão do temor de reações por parte dos militantes dc ambos lados da disputa política.

O fato de a Bolívia estar acéfala desde a renúncia de Morales também preocupa, Evo, o viccpresidente, Álvaro Garcia Lincra, os presidentes da Câmara e do Senado renunciaram diante das denúncias de fraude eleitoral, pressão dos militares e manifestações violentas da oposição, deixando um vazio de poder. Enquanto as autoridades buscam uma saída constitucional, a Bolívia é governada por uma junta militar.

Segundo fontes do setor energético, o consumo brasileiro de gás boliviano está próximo doteto dc 31,5 milhões de m3/dia em razão da seca dos últimos meses que reduziu consideravelmente o volume de água nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras.

Quase todo o gás boliviano destinado a indústrias e usinas termoelétricas. Existem outras opções de fornecimento, como Gás Natural Liqüefeito (GNL), exportado principalmente dos EUA. No entanto, a substituição pode levar algum tempo e ter impacto nos preços da energia. `Não há risco de desabastceimento, mas a diminuiçào da oferta pode ter impacto nos preços`, afirmou Alexandre Lopes, diretor técnico da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica (Abrecccl).

Além disso, a crise ocorre no momento em que a Petrobrás e a YPFB tentam implementar a venda de 51% do Gasbol, rede de distribuição de gás boliviano com mais de 3 mil quilômetros de extensão, 85% deles em solo brasileiro, parte do acordo da Petrobrás com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a abertura do mercado de gás natural em diversos Estados brasileiros. `Os últimos acontecimentos na Bolívia jogam um balde dc água fria na negociação entre a Petrobrás e a YPFB, restando ao investidor aguardar o desenrolar do cenário nos próximos dias`, disse Ernani Reis, analista da Capital Research.

Paralisação. Ontem, o diretor de relacionamento institucional da Petrobrás, Roberto Ardcnghy, admitiu que as renegociações de contratos de importação de gás natural entre a Petrobrás e a YPBF estão paralisadas, mas garantiu que o Brasil tem uma reserva estratégica estimada em pelo menos seis meses.

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