Brasil só consegue 10 milhões das 200 milhões de máscaras da China

Brasil só consegue 10 milhões das 200 milhões de máscaras da China

20:32 - O Brasil inicia o mês de abril com uma situação dramática em relação à evolução da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). E não são apenas as 241 mortes registradas na tarde desta quarta-feira (1º), e os 6.836 casos de contágio confirmados pelo Ministério da Saúde.

A questão mais dramática foi revelada hoje pelo ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto: atropelados pelas ofertas de outros países, que cobrem as multas no rompimento dos contratos, os fornecedores da China não vão mais atender às encomendas brasileiras de máscaras, uniformes e respiradores.

Acossados por mais de 4 mil mortes, Estados Unidos e França se juntaram às demandas da Itália (mais de 13 mil mortos), da Espanha (mais de 9 mil ) e do Reino Unido (que se aproxima de 2,5 mil) para fazerem um leilão junto aos fabricantes chineses – os únicos com escala para atender a demanda. Os EUA mandaram oito aviões cargueiros para trazerem da China respiradores, máscaras, luvas e roupas à base de TNT.

Vale dizer que a própria China, com 1,4 bilhão de habitantes, está reticente em destinar toda a produção para exportação, diante do risco de recidiva da importação do vírus. A quase vizinha Índia, que pôs 1,3 bilhão em isolamento social, também está desesperada atrás de Equipamentos de Proteção Individual e reluta a fechar contratos de exportação de princípios químico-farmacêuticos ativos que possam contribuir no combate ao Covid-19.

O Brasil foi jogado para escanteio nesse leilão. No caso das máscaras, o Brasil tinha negociado 200 milhões de unidades para atender o pessoal diretamente envolvido no atendimento ao público nos hospitais. Agora, segundo Mandetta, só 10 milhões (ou 5% das necessidades seriam atendidas). E o ministro disse que só terá certeza quando os chamados equipamentos de proteção individuais (EPI) estiverem desembarcando no Brasil.

Há um esforço concentrado de fabricantes da indústria têxtil brasileira em fabricar máscaras e aventais que garantam proteção dos profissionais de saúde (a linha de frente de atendimento aos doentes), além de respiradores. Mas os produtos que vierem a sair das linhas de montagem ainda não foram devidamente testados. Durante a coletiva em que previu aceleração dos registros de contágio (em função da multiplicação dos testes), o ministro da Saúde explicou que o aumento da base vai fazer o índice de letalidade (mortes por total de contágios) diminuir, mas ficou desconfortável para explicar como o país vai enfrentar o pico da pandemia nas próximas semanas sem respiradores suficientes nos hospitais e EPI para proteger o pessoal da saúde.

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