Brasil será afetado se Verdes entrarem no governo

Brasil será afetado se Verdes entrarem no governo

Partido ambientalista alemão se opõe a qualquer abertura comercial ao Brasil enquanto não houver mudança na política ambiental brasileira, principalmente na questão do desmatamento

A duas semanas da eleição, o cenário político na Alemanha continua indefinido e algumas pesquisas apontam que 30% dos eleitores estão indecisos. Hoje, contudo, parece improvável que o próximo governo alemão não seja uma coalizão e que “Die Grünen”, o maior partido verde do mundo, não esteja nela. Este fato afeta a relação da Alemanha com o Brasil.

O primeiro ponto, por exemplo, seria o Acordo UE-Mercosul. “Os Verdes abraçam as críticas em relação às consequências ecológicas do Acordo. Reconhecem que seria um Acordo para promover a indústria automobilística alemã e o agronegócio brasileiro, e isso contrasta com a consciência ecológica”, disse ao Valor o cientista social Thomas Fatheuer, ex-coordenador do escritório brasileiro da fundação do partido verde alemão no Brasil, a Fundação Heinrich Böll

“O empresariado alemão tem muito interesse no Acordo e qualquer governo terá que levar em conta estes interesses”, reage um observador. “Mas os Verdes podem impor condições que, acredito, não serão apenas retóricas”.

Uma delas, por exemplo, poderá ser não apenas cobrar metas de redução do desmatamento na Amazônia, mas indicar qual a tecnologia para medir o esforço. “Terão que considerar críveis os números apresentados”, segue.

Outro ponto, mais complicado, é proibir a importação de produtos agropecuários que usam certos tipos de agrotóxicos. “Na prática se considera improvável atitude tão radical, porque os Verdes não querem aparecer na foto como os que condenaram a fome agricultores pobres africanos”, diz a fonte.

A cooperação em frentes de agricultura sustentável, contudo, deve ser estimulada. Este caminho vem sendo aberto também no Brasil. Quando o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles azedou a parceria com os alemães, no caso do Fundo Amazônia, a cooperação começou a migrar para o Ministério da Agricultura, o MAPA.

Um tópico nebuloso é o dos transportes, setor em que as emissões de gases-estufa não cedem na Alemanha. Os Verdes defendem que a partir de 2030 não se vendam mais carros a combustão na Alemanha. Costumam se manifestar contrários à exportação de carros usados, a combustão, ao Leste europeu. Este é um tema sensível.

“O lobby da indústria automobilística alemã é muito forte contra prazos para a eletrificação dos carros”, diz Alice Amorim, pesquisadora da fundação Alexander von Humboldt. “Só estão se mexendo diante da decisão da Tesla de construir uma fábrica gigante na região de BerlimBrandeburgo”, diz.

A possibilidade, neste momento da campanha, de Os Verdes não estarem no governo seria em uma coalizão entre os sociais-democratas (SPD), os democratas-cristãos (CDU) e os liberais (FDP). Segundo analistas, esta é uma mistura improvável. “Como o SPD está na frente, encabeçaria a coalizão e o partido de Merkel nunca foi o parceiro júnior. Não se sabe se aceitaria e a relação dos dois está desgastada”, diz uma fonte.

O outro fator são os liberais. Com um programa em desacordo com os sociais-democratas no principal tema da campanha até agora - uma reforma tributária. O SPD enxerga a medida como necessária para cobrir déficits orçamentários causados pela pandemia e para financiar a descarbonização, os liberais discordam.

É possível, mas não provável, que os dois grandes partidos - CDU e SPD - consigam somar juntos mais de 50% dos votos e renovem a aliança atual, com os social-democratas à frente. Neste caso, Os Verdes não estariam no governo.

Hoje a cooperação técnica Alemanha-Brasil se dá em dois canais: através dos ministérios do Meio Ambiente e o da Cooperação Econômica e Desenvolvimento. Parece natural que, no governo, os Verdes reivindiquem a pasta ambiental. “Mas uma coisa é ter um bom diálogo com um político da CDU ou do SPD. Outra coisa é ter alguém dos Verdes lá. O Brasil ainda não viveu esta situação”, diz a fonte. Durante o governo de Gerhard Schröder, de coalizão do SPD com os Verdes entre 1998 e 2005, a cooperação com o Brasil era incipiente. Ganhou fôlego no governo Merkel.

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