Brasil sela paz com Argentina e recebe pedido de apoio em negociação com FMI

Brasil sela paz com Argentina e recebe pedido de apoio em negociação com FMI

Após seguidas trocas de farpas entre os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, Brasil e Argentina finalmente trocaram o clima de hostilidade pela retórica da paz entre os dois países. A bandeira branca foi levantada durante visita hoje do chanceler argentino, Felipe Solá, a Brasília.

Após seguidas trocas de farpas entre os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, Brasil e Argentina finalmente trocaram o clima de hostilidade pela retórica da paz entre os dois países. A bandeira branca foi levantada durante visita hoje do chanceler argentino, Felipe Solá, a Brasília.

No Palácio do Itamaraty, onde Solá se reuniu com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), prevaleceu um ambiente de cordialidade e afagos públicos entre os dois, que chegaram a posar para uma foto abraçados depois de uma breve declaração conjunta.

Quando Brasil e Argentina falam juntos, é uma voz que se potencializa, afirmou Araújo, em nítida mudança de tom. Antes da posse de Fernández na Argentina, em dezembro, ele havia cogitado a possibilidade até mesmo de saída do Mercosul. O bloco, segundo ele, é uma plataforma eficiente para reposicionarmos os nossos países na economia mundial.

Solá respondeu na mesma linha, fazendo jus ao perfil de peronista moderado e conciliador que conquistou em sua carreira política, como ex-governador da Província de Buenos Aires. No entanto, ele aproveitou o encontro para fazer um pedido diante de integrantes da equipe econômica, como o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo.

O ministro argentino relatou como estão as conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que abriu linha de crédito no valor total de US$ 55 bilhões para o país, a fim de renegociar os termos do empréstimo. O governo do ex-presidente Mauricio Macri, que deixou a Casa Rosada em dezembro, tomou US$ 45 bilhões. Uma dívida absurda, resumiu Solá.

Segundo ele, no giro recente que acabou de fazer na Europa, Fernández buscou o apoio de líderes europeus e houve receptividade inicial muito boa no próprio FMI para uma renegociação. Pedimos aos irmãos brasileiros que nos apoiem da forma como puderem, afirmou.

Solá garantiu que não haverá repetição do calote na dívida externa, como em 2001, enfatizando a necessidade de tempo para crescer e para pagar. E atrelou as boas relações com o Brasil, nas frentes econômica e comercial, ao êxito das tratativas: O futuro da Argentina e do comércio dependem do sucesso dessa negociação.

Autoridades brasileiras, ainda cautelosas com o novo relacionamento entre os dois países, evitaram comentar mesmo reservadamente se o pedido do chanceler se refletirá em apoio efetivo no FMI. Foi unânime, porém, a avaliação de que finalmente houve uma quebra de gelo e o diálogo começou a fluir. Chamaram a atenção de representantes do governo, principalmente, as falas de Solá sobre o tratado Mercosul-União Europeia e sobre a possibilidade de novos acordos.

Para crescer, o Mercosul deve fazer acordos de livre comércio com outros países. Não vamos ser uma trava, disse o chanceler argentino, que veio acompanhado de um importante aliado político, o também ex-governador Daniel Scioli, futuro embaixador da Argentina no Brasil.

Questionada sobre a interpretação que fez dessa frase, se a Argentina demonstrava engajamento no processo de abertura comercial ou se permitiria velocidades diferentes na eliminação de tarifas em futuros acordos, uma alta autoridade brasileira lembrou ao Valor que a cláusula de vigência bilateral existe para ser usada. Essa cláusula foi introduzida no tratado Mercosul-UE e permite que o acordo entre em vigência em um dos sócios do bloco sul-americano tão logo seja ratificado pelo Parlamento nacional de cada país, sem a necessidade de esperar pelos demais. Basta que, em Bruxelas, também haja o aval legislativo.

Conversamos com franqueza, tratando de não ser formais, mas deixando cada um saber o que pensa, afirmou Solá sobre o espírito da reunião com Araújo. O Brasil tem convicção e expectativa muito grandes de contar com a parceria da Argentina em temas essenciais para o nosso projeto, disse o chefe do Itamaraty. A paz pelo menos até uma nova hostilidade está selada.

 

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