Brasil redesenha parcerias na América Central

Brasil redesenha parcerias na América Central

O governo Jair Bolsonaro escolheu a Guatemala e Honduras como parceiros preferenciais, na América CentralO governo Jair Bolsonaro escolheu a Guatemala e Honduras como parceiros preferenciais, na América Central

O governo Jair Bolsonaro escolheu a Guatemala e Honduras como parceiros preferenciais, na América Central, para contrabalançar a influência do mexicano Andrés Manuel López Obrador e o nicaraguense Daniel Ortega na região. Essa opção torna-se visível no movimento do chanceler Ernesto Araújo, que aproveitou uma reunião ontem do Grupo de Lima no Canadá para fazer escalas na Guatemala e em Honduras, respectivamente na ida e na volta de sua viagem para Ottawa.

Aos dois países, o ministro acena com a possibilidade de um acordo comercial com o Mercosul seja de livre comércio ou de preferências tarifárias (com descontos parciais nas alíquotas de importação). É um sinal de fratura na região, com o progressismo de AMLO no Méxicopaís geograficamente na América do Noite, mas com ascendência sobre muitos de seus vizinhose a autocracia de Ortega na Nicarágua.

O Sistema de Integração Centno-Americana (Sica), bloco comercial que costuma atuar em conjunto, está em estado de paralisia e cada país tem negociado individualmente. Trata-se, no entanto, de uma aproximação que vai além de questões comerciais. Um chanceler brasileiro não pisava na Guatemala desde 2004 e em Honduras desde 1971.

Em sua primeira escala, na quarta-feira, Araújo disse que são países com quem o Brasil tem `concepções de mundo muito convergentes`, com quem `coincidimos nos valores e nos interesses`, ressaltando aspectos como a defesa da democracia no continente e o cerco a Nicolás Maduro na Venezuela.

Há interesse na negociação de um tratado de facilitação de investimentos, bem como cooperação nas áreas de biocombustíveis e tecnologias agrícolas, segundo Araújo. `Em breve teremos iniciativas concretas. É uma estratégia para que o Brasil tenha presença mais forte na América Central.`

O setor privado brasileiro tem interesse em um acordo, que não necessariamente precisa ser de livre comércio, com os países da região. A Argentina também se mostrava interessada, Mas, já na gestàoclo ex-presidente Maurício Macri, defendia a hipótese de cada sócio do Mercosul avançar nas negociações e celebrar um tratado com `velocidades diferentes`.

O intercâmbio comercial do Brasil com esses países ainda é modesto. Em 2018, foram US$266 milhões com a Guatemala e só US$ 9 milhões com Honduras, totalizando exportações e importações.

Com o México, segunda maior economia da América Latina, o Brasil tenta concluir um acordo mais amplo, que negocia desde 2015. Há dificuldades técnicas nas discussões. O distanciamento político nào atrapalha, mas também não ajuda. AMLO, como López Obrador é chamado, tem se alinhado com o argentino Alberto Fernández na configuração de um polo de esquerda no continente, o que gera uma postura de desconfiança em Bolsonaro e seus principais auxiliares.
 

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