Brasil propõe à Argentina um novo pacto de integração regional

Brasil propõe à Argentina um novo pacto de integração regional

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, propôs hoje à Argentina que se junte ao Brasil num projeto de "recuperar o tempo perdido" na integração regional e na integração da região com o mundo, saindo do confinamento comercial.

Por tempo perdido, o governante brasileiro referiu-se "ao período de 2003 a 2015" no qual, Brasil e Argentina tiveram um "projeto suicida", como "um casal que quer se suicidar juntos", definiu o ministro.

"De 2003 a 2015, sobretudo no começo desse período, a parceria Brasil-Argentina foi concebida para nos isolar do mundo. Isolar-nos dos Estados Unidos e da Europa. Uma lógica de exclusão e de desenvolvimento autónomo que não deixa de ser um projeto de alguma maneira suicida", acusou o ministro brasileiro.

"Não sei se foi o Brasil que tentou arrastar a Argentina por esse caminho ou se foi o contrário. Foi como num desses pactos de um casal que quer suicidar-se junto", ilustrou.

O resultado desse "suicídio", segundo o chanceler brasileiro, foi uma "fracassada política externa que só gerou estagnação e atraso".

"A nossa política exterior foi parte desse projeto de autonomia que gerou estagnação económica, criminalidade crescente, corrupção e tantos outros problemas", afirmou.

As declarações foram feitas durante uma palestra no Conselho Argentina para as Relações Internacionais (CARI).

Durante a intervenção, o ministro convidou a plateia de diplomatas e académicos a repensar a América Latina.

"Uma das tarefas que temos é repensar a nossa latino-americanidade e nisso, seguramente, Brasil e Argentina têm um papel central. Precisamos um do outro para seguir nessa missão de recuperar o tempo perdido a partir da nossa identidade", apontou.

A recuperação do tempo perdido inclui sair do confinamento comercial com quatro negociações avançadas com outros blocos comerciais e países.

"Temos uma missão que abrange coisas muito concretas. Por exemplo, o Mercosul pode, no curto prazo, fechar quatro grandes acordos: com a União Europeia, com o Canadá, com a Coreia e com o EFTA (Suíça, Liechtenstein, Noruega e Islândia)", indicou.

Sobre o futuro do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina Uruguai e Paraguai, Ernesto Araújo reforçou o caminho da União Alfandegária.

" É possível manter a União Alfandegária com eficiência e um desses enfoques é a ideia de flexibilização em negociações com terceiros na qual estamos a trabalhar", garantiu, dissipando temores de um retrocesso no processo de integração desde que Jair Bolsonaro ganhou as eleições.

O MNE brasileiro está em Buenos Aires para relançar a parceria estratégica Brasil-Argentina e para acertar a data de uma viagem do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, à Argentina antes de julho.

Hoje, Ernesto Araújo terá reuniões bilaterais com o homólogo argentino, Jorge Faurie, e com o ministro da Produção, Dante Sica. Entre as duas reuniões, o ministro brasileiro será recebido pelo próprio Presidente argentino, Mauricio Macri.

Para "acabar com as dúvidas" quanto "ao papel central" que a Argentina ocupa na estratégia da nova política externa brasileira, o ministro Ernesto Araújo levará ao presidente Macri três alternativas de datas para uma visita do presidente Jair Bolsonaro à Argentina antes da Cimeira do Mercosul, em julho, que também acontecerá na Argentina.

"Nós temos a ideia de que a visita seja logo. O presidente Bolsonaro realmente quer vir à Argentina. Como a Cimeira do Mercosul seguramente será em meados de julho, isso seria esperar muito. Nós realmente queremos que a visita tenha lugar antes. Que ninguém duvide: a relação com a Argentina preferencial e especial", destacou, descartando as análises de que o Brasil passaria a ter o Chile como parceiro estratégico.

 

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