Brasil precisa retomar reformas para evitar crise, diz Moody’s

Brasil precisa retomar reformas para evitar crise, diz Moody’s

País enfrentou baixo crescimento nos últimos anos e precisa de reformas estruturais para crescer de maneira sustentável

O ano de 2021 será crucial para o Brasil conseguir sustentar o ritmo necessário de crescimento nos próximos anos. Isso porque, após um grande aumento dos gastos públicos para atenuar os efeitos da pandemia, o país precisa retomar a trajetória de consolidação fiscal, o que inclui deslanchar a agenda de reformas estruturais, avalia a vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Samar Maziad.

Na visão da especialista da agência de classificação de riscos, para melhorar o ritmo de crescimento, a economia brasileira precisa das reformas estruturais. “A agenda é essencial porque a crescimento do Brasil foi muito fraco por muitos anos e, para retomar um caminho de crescimento sustentável, as reformas são críticas.” Além disso, conforme 2021 se aproximar do fim, mais difícil ficará o processo de votação dos projetos, com a aproximação do ano eleitoral.

Durante este ano, o país enfrentará vários desafios. O fim do auxílio emergencial, por exemplo, pode criar pressões sociais, se a economia não se recuperar a contento. “Na ausência de recuperação da atividade econômica e com um nível elevado de desemprego, há algum risco de agitação social com o fim da ajuda emergencial”, disse Samar.

Um maior patamar de descontentamento pode ainda complicar a trajetória de consolidação fiscal, na medida em que os políticos se sentirão pressionados a aumentar gastos. “As pressões estão do lado de baixa para os ratings, com aumento de pressões sociais e pressões fiscais”, diz Samar.

O fim do auxílio no Brasil pode exacerbar o sentimento negativo nas classes mais atingidas pela crise. Por isso, a analista destaca ser importante o programa de vacinação para sustentar o processo de retomada da atividade.

“Como em muitos países no mundo, estamos vendo no Brasil uma segunda onda de covid-19 e administrar a vacina na população vai ajudar a recuperação econômica”, disse. A execução de um programa bem-sucedido de vacinação “reduziria os riscos de fechamentos adicionais ou outras medidas que teriam de ser introduzidas”, caso a crise de saúde piore.

Outra questão que frequenta a lista de preocupações do mercado neste ano, as eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado tendem a atrasar votações das reformas no Congresso, pontuou a analista da Moody’s. Mas isso não significa que vão mudar o consens sobre a necessidade dessas mudanças, completou. Para Samar, “há um risco de atrasos ou mudança de prioridades, mas [seja quem for eleito] não esperamos mudança do consenso sobre a necessidade de reformas”.

A continuidade da agenda econômica também é importante, na visão da analista, para o país conseguir manter a aderência ao teto de gastos. “Seria negativo para o perfil de crédito do Brasil abandonar o teto.”

Samar enfatiza que o teto “é a principal âncora de gasto que existe agora” no país. “É a única regra que previne aumento do peso da dívida”, disse. “Se descumprir a regra, o Brasil perde o único instrumento que ajuda a manter a confiança dos investidores. Isso traria questões sobre como o país retomaria a consolidação fiscal.”

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