Brasil precisa definir seus interesses no conflito dos EUA com a China

Brasil precisa definir seus interesses no conflito dos EUA com a China

E provável que produtores de soja brasileiros sejam afetados no curto prazo Donald Trump qualificou como `histórico` o seu acordo preliminar com o governo de Xi Jinping.

Talvez seja exagero, típico de presidente em luta pela reeleição. O documento assinado por Trump e pelo vice-primeiro ministro chinês Liu He, em Washington, estabelece bases para uma trégua na guerra comercial entre Estados Unido s e China a partir de fevereiro. Representa um avanço, considerando-se o volume de incertezas produzido por esse conflito na economia mundial nos últimos 20 meses.

Porém, não muda a realidade. Para o governo Trump, a ascensão da China ameaça a hegemonia americana consolidada há três décadas, desde o fim da União Soviética. Para o governo Xi Jinping, os EUA ainda podem muito, mas não podem mais bloquear a transformação chinesa, baseada na mutação em potência tecnológica nas áreas de inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos. Esse conflito molda o mundo.

As 93 páginas da trégua assinada na quarta-feira não permitem vislumbrar vencedor. Indicam duras negociações adiante, que tendem a produzir desvios no comércio dos dois na países, passíveis de aproveitamento por nações periféricas, como o Brasil, se estiverem preparadas. No caso brasileiro, por exemplo, é provável que produtores de soja sejam afetados no curto prazo.

A China aceitou comprar US$ 80 bilhões em produtos agrícolas americanos nos próximos dois anos. A soja tem sido o principal produto agrícola americano de exportação para a China. Como o Brasil é o principal competidor dos EUA no mercado chinês, em tese, os agricultores brasileiros só poderão vender à China a sojaqueexcederacotafixada.Aperda ou desvio de mercado, nesse caso, está estimada em cerca de 10% da receita brasileira com soja no mercado chinês.

Mas o acordo tem brechas e está limitado por cláusulas de defesa comercial chinesa. Em contrapartida, pode-se prever alguma redução nas vendas americanas ao mercado industrial chinês. Sobretudo, exportações de produtos de alta tecnologia. Os efeitos para países periféricos serão proporcionais às respectivas escolhas em meio a esse conflito.

O Brasil, por exemplo, poderá se concentrar no aproveitamento de brechas no comércio agrícola dos EUA-China. Ou pode ir muito além, desenvolvendo uma ação industrial e estratégica em parceria com Pequim. A questão preliminar é como e em qual direção, exatamente, governo e empresas brasileiras desejariam avançar na reconstrução da base tecnológica do país.

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