Brasil pode ser canal de ajuda humanitaria

Brasil pode ser canal de ajuda humanitaria

ENTREVISTA: Milos Alcalay, ex-embaixador

No último sábado, Juan Guaidó, proclamado `presidente encarregado` pela Assembleia Nacional venezuelana, assegurou que o Brasil terá papel crucial na resolução da crise do país. Esse papel, disse ao GLOBO o ex-embaixador venezuelano em Brasília e um dos mais cotados para ser nomeado representante do governo de Guaidó no Brasil, Milos Alcalay, tem a ver, principalmente, com a abertura de um canal humanitário para levar alimentos e medicamentos aos setores mais humildes do país. Ex-embaixador em Israel e nas Nações Unidas, ele questionou a demora da UE em reconhecer Guaidó e apontou que o encontro do Grupo de Lima hoje, no Canadá, buscará avançar na articulação regional.

Guaidó afirmou que a participação do Brasil em sua estratégia para superara crise venezuelana é fundamental. Por quê?
Principalmente pela abertura do canal humanitário, que é a resposta de Guaidó ao brutal colapso social e econômico que levou milhares de pessoas a fugirem para nossos vizinhos, sobretudo Brasil e Colômbia. Ambas as nações mostraram solidariedade concreta construindo refúgios, dando alimentos, medicamentos e outras ajudas para aliviar o sofrimento de nossos compatriotas. A solução para frear este êxodo é aceitar a ajuda humanitária internacional. Guaidó propõe três pontos centrais para a recepção desta ajuda: Cucuta (na Colômbia), a fronteira com o Brasil e alguma ilha do Caribe. Pedimos aos militares que permitam a entrada da ajuda. Precisamos do apoio de todos os governos vizinhos. O Brasil já vem sendo muito generoso em Roraima dando ajuda aos venezuelanos. Mas é preciso iniciar uma nova etapa de coordenação bilateral para que essa ajuda também possa entrar em nosso território.

Que contatos o `governo encarregado` de Guaidó tem tido com o Brasil?
Temos ONGs atuando na fronteira e com a colaboração de autoridades brasileiras; o ex-prefeito David Smolansky (um dos que rumou para o exílio nos últimos anos) é nosso coordenador na Organização dos Estados Americanos (OEA) para a ajuda humanitária e trabalha muito com o Brasil e agora temos um diretor de orquestra, que é Guaidó e que vai iniciar um novo ciclo de articulação e trabalho entre os dois países.

Quais os desafios para as próximas semanas?
Temos muitos e, sem dúvida, a negação do regime usurpador de permitir que seja cumprido o mandato constitucional dificulta a transição à democracia e o desenvolvimento econômico e social. Mas estamos otimistas e esperamos que em breve seja restabelecido o estado de direito, a democracia e os direitos humanos. As marchas de 2 de fevereiro a favor de Guaidó mostram que existe esperança. A crescente implosão de dirigentes chavistas, militares insatisfeitos e dispostos a abandonar Maduro mostra o isolamento da cúpula totalitária. Precisa- ELMERCURI0 mos, mais do que que nunca, do respaldo internacional.

Acredita que a União Européia (UE) vai reconhecer Guaidó?
Esperamos que os europeus reflitam e sigam as recomendações aprovadas por maioria por seu Parlamento. Lamentavelmente vimos um retrocesso de alguns governos europeus. Depois do ultimato para que sejam convocadas eleições, rechaçado por Maduro, deveria ter vindo o reconhecimento, mas não veio.

Que outras sanções poderiam ser aplicadas contra o governo Maduro?
Uma possibilidade seria que países membros da Corte Penal Internacional (em Haia) solicitem que sejam aceleradas as demandas por violações dos direitos humanos e crimes de lesa-Humanidade. Também mais sanções econômicas, a recuperação do dinheiro da corrupção.

0 que está sendo articulado com outros governos da região como Argentina, Peru e Chile?
A reunião do Grupo de Lima hoje, no Canadá, será muito importante. Irão representantes do governo de Guaidó.

0 que o senhor pensa sobre a proposta de México e Uruguai de buscar negociações?
Os dois países estão tentando camuflar seu respaldo a Maduro porque sabem que enfrentam resistências internas. Seus embaixadores não presenciaram a posse de Maduro. A posição do ex-presidente Mujica e do secretário-geral da OEA, Luis Almagro,representa a posição digna de uruguaios que combateram as ditaduras. Claro que Maduro quer o México e o Uruguai como mediadores, porque são países benevolentes com o que resta do socialismo do século XXI. E como escolher Bolívia, Nicarágua ou Cuba para mediar a crise.

Como está a situação nas Forças Armadas?
Temos milhares de militares pedindo para passar para a reserva, outros muitos presos e um clima de enorme frustração.

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