Brasil pode rever acordo automotivo para ampliar comércio com o México

Brasil pode rever acordo automotivo para ampliar comércio com o México

Relações externas: País estuda baixar exigência de conteúdo local para favorecer parceria

Em meio a temores quanto ao recrudescimento do protecionismo comerciai no pós-pandemia, Brasil e México retomaram neste ano as negociações para um acordo de livre comércio. Em ritmo normal de trabalho, o entendimento pode ser fechado em 12 meses, disse o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz. As conversas estão em estágio inicial. No momento, discute-se o grau de ambição do acordo. Para alcançar o entendimento, o Brasil está disposto a rever o que é hoje o principal entrave para as exportações mexicanas: a exigência de conteúdo local de 40% em automóveis e autopeças. Por causa dessa regra, que faz parte do acordo de livre comércio no setor automotivo assinado há um ano (Ver «o lado), as exportações mexicanas para o Brasil caíram, e a corrente de comércio recuou. Os mexicanos têm dificuldade em cumprir esses índices porque sua indústria é mais integrada globalmente. Utiliza mais componentes importados. `Diminuir a regra de origem é objetivo do governo brasileiro, mas é muito mais para o México`, comentou o secretário. Os índices de conteúdo local podem retornar ao que eram antes, de 10% a 25%. No entanto, isso seria feito dentro de um processo negociador. `A contrapartida é que queremos exportar mais produtos para o México e chegar a um acordo de livre comércio ambicioso`, afirmou Ferraz. Além de estabelecer o livre comércio para produtos industrializados, que hoje compõem a maior parte da pauta bilateral, o Brasil quer superar um antigo ponto de resistência mexicano e ampliar o acesso de produtos agrícolas.

A negociação em curso envolve aperfeiçoar, ampliar e colocar num mesmo pacote os dois acordos que o Brasil tem em vigor hoje com o México: os Acordos de Complementação Econômica (ACE) 55 e 53.0 primeiro diz respeito ao mercado automotivo. O segundo cobre perto de 40% da pauta do comércio bilateral, mas contempla poucos itens em que a tarifa de importação é zero.

Segundo Ferraz, o diálogo foi destravado em 2019, quando o Brasil concordou em retomar o livre comércio no setor automotivo. Essa era uma espécie de pré-condição para abrir o diálogo, um sinal do real interesse do Brasil em chegaraoentendimento,

O comércio bilateral no setor era livre até 2012, contou o secretário. Naquele ano, diante de um forte incremento na entrada de automóveis mexicanos, o governo brasileiro pressionou pela adoção de um sistema de cotas, que limitaria a entrada de automóveis e peças até 2015. Após isso, o sistema foi prorrogado até março de 2019. Já sob o governo dejair Bolsonaro, o Brasil concordou em acabarcom as cotas e retomar o livre comércio automotivo. A exigência de 40% de conteúdo local, no entanto, havia sido negociada em governos anteriores e os mexicanos concordaram em mantê-la. Com o sinal político dado, os mexicanos pediram um tempo para iniciar as tratativas, poisogoverno de Andrés López Obrador estava em seu início. Assim, o diálogo começou efetivamente neste ano. `Há predisposição clara em se engajar nas negociações`, afirmou.

A negociação com o México faz parte da agenda de integração gra duai do Brasil no comércio mundial por meio de acordos comerciais. A abertura, disse o secretário, deve ocorrer simultaneamente ao avanço de reformas econômicas.

Na pandemia, o comércio exterior brasileiro se firma como uma alavanca para a retomada, afirmou Ferraz. As exportações do agronese o país menos prejudicado em seu comércio entre as economias do G-20. Mesmo com uma expectativa de queda de 11,4% nas exportações e 13,6% nas importações, o desempenho do Brasil é tido como positivo, se confrontado com uma estimativa de recuo de 35% no comércio mundial. `A agenda comercial não pode parar e será importante no processo de recuperação`, disse Ferraz. Mesmo que leve algum tempo até o mercado efetivamen te se abrir, a assinatura dos acordos já é suficiente para deflagrar investimentos. O setor privado precisa se preparar com antecedência.

Dos acordos comerciais em negociação, o Mercosul-Canadá é o mais maduro. O secretário acredita que será possível assiná-lo no primeiro semestre de 2021, atraso de cerca de seis meses em relação ao cronograma antes da crise.

Estava bem adiantado também o acordo do Mercosul com a Coréia do Sul. No entanto, as tratativas estão em suspenso, à espera de uma definição da Argentina.

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