Brasil passa a ter juros reais negativos com decisão do Copom

Brasil passa a ter juros reais negativos com decisão do Copom

19:55 - Com a Selic a 2% ao ano, taxa fica negativa em 0,71% após descontar a inflação

SÃO PAULO - O Banco Central garantiu nesta quarta-feira uma posição inédita do Brasil no ranking mundial de juros. Com a queda da Selic para 2% ao ano, menor patamar histórico, o país que sempre esteve no topo da lista das nações com os maiores juros reais (descontada a inflação) do planeta, passa agora a ter juros reais negativos de 0,71% e ocupar a 26ª posição no ranking de 40 nações.

— É uma novidade o país figurar no grupo dos países com juro real negativo. É um cenário que ainda não conhecemos e não sabemos o impacto na economia. Já vimos o reflexo no câmbio, levando o dólar acima de R$ 5 — diz Jason Vieira, economista da Infinity Asset Management, responsável pelo ranking, que lembra que o cálculo do juro real é feito considerando a inflação prevista para os próximos 12 meses.

Vieira lembra que com juros reais negativos o país fica com taxa muito próxima a países como Austrália (taxa real de juro negativa de 0,57%) e de Hong Kong, que tem juro real negativo de 0,90%. Considerando os 40 países que integram o ranking, a taxa de juros real média fica negativa em 0,37%. Trata-se de um cenário em que os Bancos Centrais desses países reduzem juros para estimular a atividade econômica.

Para o economista da consultoria Tendências, Silvio Campos Neto, a situação atípica da economia, com os efeitos da pandemia de Covid-19, pede medidas não convencionais, como essa nova baixa da Selic, que leva o país ao campo do juro negativo.

Mas ele alerta que o Brasil é um país emergente com situação fiscal difícil, com prêmio de risco um pouco mais elevado que seus pares, e uma piora das contas públicas pode exigir uma recomposição dos juros.

— Nesse cenário de piora fiscal, há risco de perdermos referência da taxa de câmbio. Pode acontecer uma saída de recursos, inclusive de residentes, levando a uma pressão sobre o dólar. E isso gera insegurança porque atrapalha a tomada de decisões no setor produtivo — diz Campos Neto.

No topo do ranking dos juros reais, estão a Indonésia, com juros de 2,97%, a Argentina, juro de 2,53% e a Malásia, taxa de 2,36%.

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