Brasil não deve ‘escolher parceiros’ comerciais, diz secretario

Brasil não deve ‘escolher parceiros’ comerciais, diz secretario

06/07 Representante do Ministério da Economia, Lucas Ferraz defendeu a ampliação de acordos no exterior

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, afirmou que o governo brasileiro está aberto ao mundo e "não pode ficar escolhendo parceiros para acordos comerciais", privilegiando países ocidentais em detrimento dos asiáticos.

Ele defendeu que o Brasil não concentre esforços unicamente em abrir negociações com os Estados Unidos e permaneça atento a oportunidades na Ásia, que definiu como "região mais dinâmica do globo, com dois mega-acordos regionais" — a Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), que reúne 11 países entre asiáticos e americanos banhados pelo Oceano Pacífico, e o Tratado RCEp, que reune 15 países
asiáticos e da Oceania, aí incluída a China.

Ferraz participou de painel online organizado na noite desta terça-feira (06) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Como exemplo dessa consciência dentro do Ministério da Economia, Ferraz informou que o país está prestes a abrir negociações com Indonésia e Vietnã. Há, ainda, conversas abertas com Singapura e Coreia do Sul, disse Ferraz.

"Estando entres as dez ou doze maiores economias do mundo e com um dever de casa, digamos, nós não podemos ficar deitados em berço esplêndido esperando, escolhendo o parceiro [comercial] e dizer que agora vai priorizar todo o esforço negociador para tentar um acordo com os Estados Unidos. É evidente que os Estados Unidos é uma economia altamente relevante. Mas se a gente ficar olhando só para o
Ocidente e não olhar para a região que é o eixo mais dinâmico do mundo, que é a Ásia, a gente pode se prejudicar e não ter um resultado tão favorável", disse um dos principais negociadores do governo brasileiro.

Ferraz lembrou que o Brasil concluiu, embora não ainda não tenha assinado, o acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), um acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), além de negociar ativamente com Canadá, Singapura e Coreia do Sul.

Sobre a demora na assinatura do acordo com a UE, ele minimizou a questão ambiental e voltou a afirmar que, objetivamente, o acordo não vai à frente por uma questão de economia política de países europeus que temem a competitividade agrícola brasileira, como a França.

Além de defender mais acordos comerciais com outros países, Ferraz afirmou que o Brasil precisa se empenhar em tornar o Mercosul uma verdadeira área de livre comércio, integrando setores como o automotivo ao tratado de Assunção, e trabalhar pela queda da Tarifa Externa Comum (TEC).

No mais, afirmou, é importante "implementar com urgência" o programa Portal Único de Comércio Exterior, com a finalidade de facilitar trâmites e diminuir atrasos de importação e exportação.

Segundo o secretário, ainda antes do governo Jair Bolsonaro, o atraso médio nas exportações caiu de 13 para seis dias e, já no atual governo, o ganho foi espelhado para as importações, cujo atraso médio recuou de 17 dias também para seis dias. Nas palavras de Ferraz, cada dia de atraso implica uma perda de 2% no valor da operação.

Noutra frente, acrescentou, o governo tenta enxugar a fila de pedidos de licença para importação, que teria caído à metade em dois anos e meio de governo.

O secretário ainda criticou setores que se dizem contrários à abertura. "A questão [da inserção] internacional é pró setor produtivo. Como vamos exportar um produto com 10% de conteúdo importado quando, lá fora, se concorre com produtos que tem 30% ou 35% de conteúdo importado? Como vai se exportar um produto se o Brasil só tem 15% do total do que exporta com acesso preferencial, quando o resto do mundo tem
60% a 70%?", questionou Ferraz, para quem o setor produtivo ainda olha muito para o mercado interno em vez de tentar disputar os mercados globais.

Sobre acordos com países asiáticos, Ferraz minimizou a lógica de que são prejudiciais à balança comercial. "Muita gente critica, diz que [com] asiático é complicado, porque a gente só exporta commodity para importar bem industrial. O que eu venho ressaltando é que a agenda comercial não pode ser olhada pela perspectiva do varejo.

Tem que olhar a coisa de forma holística", disse.

"A rede de acordos que o Brasil tem hoje já negociados ou em negociação vai gerar ganhos estimados da ordem de R$ 1,7 trilhão para o PIB brasileiro entre 15 e 20 anos", completou.

Em termos globais, definiu o secretário, o mundo deve experimentar um encurtamento das cadeias de produção que traga maior segurança e celeridade ao fornecimento de serviços, componentes e insumos. Essa reorganização, porém, não vai implicar o fim dessas cadeias, como alguns estariam propondo. Essa volta de toda a cadeia produtiva de determinados gêneros para um determinado país "tem evidências apenas anedóticas e nunca empíricas", defendeu Ferraz.

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