Brasil lidera recuperação da atividade na América Latina

Brasil lidera recuperação da atividade na América Latina

Retomada enfrenta riscos políticos, de recrudescimento da pandemia e inflacionários

O Brasil lidera a recuperação econômica na América Latina. Na semana encerrada em 13 de agosto, o país foi o único da região que não registrou queda de mobilidade e manteve a retomada da atividade econômica em curso

Segundo tracker da consultoria Oxford Economics, o indicador do Brasil cresceu 0,9 ponto percentual acima do patamar pré-pandemia, o que pode ser atribuído à volta às aulas em boa parte das escolas.

Para elaborar o indicador, a Oxford Economics compila dados de mobilidade do Google Mobility Report, taxas de novos casos e mortes por covid-19 reunidas pela Universidade Johns Hopkins e pesquisas on-line de palavras como “restaurante” e “hotel” do Google Trends – variáveis que buscam capturar também o nível de atividade off-line em lugares onde a interação social está se recuperando.

“Houve melhora no Brasil, onde as restrições estão diminuindo de forma generalizada, com muitos governos locais facilitando volta às aulas e permitindo mais pessoas em restaurantes. As pessoas parecem menos preocupadas e têm saído mais”, diz Joan Domene, economista da Oxford Economics, ao alertar que o aumento da mobilidade significa também mais chance de circulação do coronavírus.

“Os riscos de novas ondas de covid-19 estão aí. O problema é que a região não pode fechar a economia para sempre, porque não tem como arcar com esse custo econômico”, afirma.

De modo geral, a América Latina caiu 0,5 ponto na semana retrasada. O Peru teve a maior queda, de 3,5 pontos, explicada pela extensão do estado de emergência até março de 2022.

Na Colômbia, a queda foi de 2,4 pontos, com as autoridades considerando restringir atividade àqueles não vacinados. O país e o Brasil foram os únicos da região que retomaram a atividade ao nível pré-pandemia.

No México, a queda foi de 1,6 ponto devido á deterioração das condições sanitárias. O país vive o pior momento da pandemia, com recordes de novos casos diários, decorrente do avanço da variante delta. O governo mexicano, no entanto, descarta fechar a economia. O indicador do Chile caiu 0,4 ponto, e a Argentina ficou praticamente estável, com leve alta de 0,1 ponto.

O cenário traçado pelo indicador é corroborado por dados oficiais sobre nível de atividade econômica dos países. O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou expansão de 1,1% da atividade em junho, com economistas prevendo expansão sólida nos meses seguintes, à medida que a vacinação avança.

Em toda a região, contudo, a retomada ainda está sujeita a riscos políticos, de recrudescimento da pandemia, e inflacionários, afirma Alberto Ramos, economista do banco Goldman Sachs.

“No Chile, no Peru e na Colômbia o ruído político tem crescido. No Brasil, há fricção entre Poderes. Em uma região onde o crescimento e a produtividade são baixos, o risco político deixa a incerteza bastante elevada”, diz. “Outro risco é a aceleração da inflação, a retirada de estímulos e o aumento dos juros. Isso pode comprometer a retomada na região tanto ou ainda mais do que a própria covid.”

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