Brasil já negocia acordos comerciais com Coréia, Canadá e Cingapura

Brasil já negocia acordos comerciais com Coréia, Canadá e Cingapura

Governo prevê concluir negociações com esses países este ano, com ou sem Argentina. Maior abertura com EUA é outra meta

Concluídas as negociações do Mercosul com a União Européia (UE) e com o Efta bloco integrado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein e em meio a uma maior aproximação com os Estados Unidos, o governo se prepara para novos acordos comerciais. Já há um cronograma definido: Coréia do Sul este mês, Canadá em outubro e Cingapura em dezembro.

Esses três países importaram, em 2017, cerca de US$ 1,4 trilhão. Desse total, o Brasil só vendeu algo em torno de US$ 9 bilhões, o que mostra o potencial desses mercados. Segundo um negociador brasileiro, há espaço tanto para produtos do agronegócio como para bens de maior valor agregado. Enquanto isso, em sua visitaaos EUA, iniciadaontem, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, voltará a discutir um ambicioso tratado de livre comércio.

Além da redução de tarifas, estão sobre a mesa temas como compras governamentais, investimentos e serviços. Apesar desse cenário aparentemente promissor, existe um fantasma que ronda os negociadores brasileiros: as eleições na Argentina, que ocorrem no mês que vem.

A avaliação de parte do governo é que uma provável vitória do candidato da oposição, Alberto Fernández, poderia atrapalhar os planos do Brasil, pois passaria a imagem de um Mercosul se desintegrando ou se separando da Argentina. Fontes envolvidas no assunto, porém, afirmam que, se Fernández colocar obstáculos às negociações, o Brasil, negociará sozinho os acordos, o que significarão fim da Tarifa Externa Comum (TEC). A Argentina deve ficar isolada no bloco, pois paraguaios e uruguaios tendem a acompanhar os brasileiros.

INTERESSE DE CHINA E JAPAO

No caso das negociações com os EUA, a dúvida é se o Brasil faria um acordo de livre comércio sozinho ou se o Mercosul entraria como um todo. Ainda na América do Norte, o Brasil começou a discutir com o México a ampliação do acordo de livre comércio que existe para poucos setores.

O principal é o automotivo. E, naAsia, China e Japão já sinalizaram que gostariam de firmar acordos com o Brasil ou o Mercosul. Se o tratado envolver redução de tarifas de importação, o mais provável é que as negociações sejam feitas com o bloco sul-americano. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acordo entre Mercosul e UE reúne um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 19 trilhões e um mercado de 750 milhões de pessoas, com US$ 101,6 bilhões de comércio bilateral e impacto significativo para a indústria brasileira.

O tratado reduz para zero as tarifas de importação de produtos brasileiros como calçados e aumenta a competitividade de bens industriais em setores como têxtil, químicos, autopeças, madeireiro e aeronáutico. Já o Efta tem um PIB de US$ 1,1 trilhão e uma população de 14,3 milhões de pessoas. Com outros 29 acordos comerciais já firmados, os quatro países do bloco formam um dos maiores PIB per capita do mundo.

Mas os acordos com a UE e o Efta deverão demorar, no mínimo, um ano para entrar em vigor. Os tratados dependem da aprovação dos Parlamentos de cada um dos países envolvidos, e as queimadas na Floresta Amazônica pesarão nessas votações. Exportações. Porto de Incheon, na Coréia do Sul: governo brasileiro espera fechar acordo com país asiático este mês

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