Brasil integra iniciativa de cooperação em tecnologia da OMS para combater Covid-19

Brasil integra iniciativa de cooperação em tecnologia da OMS para combater Covid-19

14:58 - Um dos objetivos é buscar tratamento para a doença e facilitar fabricação e distribuição de genéricos de um eventual medicamento pelo mundo. A embaixadora brasileira na OMS, Maria Nazareth Farani Azevêdo, representou o país no lançamento.

O Brasil é um dos integrantes de uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) lançada nesta sexta-feira (29) para facilitar o acesso a tecnologia no combate da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Uma das intenções do projeto é que, se algum governo ou empresa participante descobrir um medicamento para a doença, contribuam com a patente para que ela seja sub-licenciada a fabricantes de genéricos. Isso facilitaria, segundo a OMS, a fabricação e a distribuição dos medicamentos pelo mundo de forma mais igualitária.

A embaixadora do Brasil na OMS, Maria Nazareth Farani Azevêdo, representou o país no lançamento. Ao todo, mais de 35 países estão participando (veja lista ao final da reportagem).

"O Brasil está honrado em apoiar o lançamento da plataforma", disse Farani. "Nesse momento, o acesso a tecnologias de saúde de qualidade seguras, eficientes e acessíveis continua sendo uma prioridade para o Brasil", afirmou.
A iniciativa foi inicialmente proposta pelo presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada, como uma "irmã" do "ACT Accelerator", lançado no final de abril para buscar medicamentos, testes e vacinas para a Covid-19. O objetivo do novo projeto, explicou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, é sugerir ações concretas para alcançar os objetivos da primeira iniciativa, incluindo acesso igualitário às pesquisas.

A iniciativa, chamada de "COVID19 Technology Access Pool", ou "C-TAP", tem 5 prioridades:

-divulgação pública de pesquisas de sequenciamento de genes;
-divulgação pública de todos os resultados de ensaios clínicos;
-incentivar governos e financiadores de pesquisas a incluir cláusulas em contratos com empresas farmacêuticas sobre distribuição e publicação de dados de ensaios clínicos de forma equitativa;
-licenciar tratamentos e vacinas para produtores grandes e pequenos;
-promover modelos abertos de inovação e transferência de tecnologia que aumentem a capacidade local de fabricação e fornecimento.

"Por meio da C-TAP, estamos convidando empresas ou governos que desenvolvam uma terapêutica eficaz para contribuir com a patente para o repositório de patentes de medicamentos, que então faria o sub-licenciamento da patente a fabricantes de genéricos", explicou Tedros.

Líderes internacionais

Além do Brasil, outros representantes e lideranças internacionais também participaram do lançamento em Genebra, por meio de transmissão virtual. Todos ressaltaram a necessidade de trabalho conjunto e solidariedade no combate à pandemia, para garantir acesso igualitário a eventuais medicamentos e vacinas.

"Crises globais, como a de Covid-19, significam que temos que deixar de lado nossos interesses privados e agir juntos. A luta contra essa pandemia requer que nós não reinventemos a roda. Temos que pensar em como a cooperação internacional pode funcionar para que possamos desenvolver soluções científicas que garantam a saúde de todas as populações, sem exclusão", declarou o presidente do Equador, Lenín Moreno.

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, também enviou uma mensagem. "Estou falando a vocês do norte do país, onde estávamos observando áreas significantes de surtos na fronteira com o Brasil. E, como sempre, e agora mais ainda, gostaríamos de nos juntar à iniciativa e pedir aos governos, empresas e organizações internacionais que participem isso", pediu.

"A República de Palau teve sorte de ser um dos poucos países no mundo sem casos confirmados do coronavírus", declarou o presidente palauano, Thomas Esang Remengesau. "Essa conquista só foi possível graças à medida drástica, mas necessária, de fechar as nossas fronteiras para viajantes internacionais. Apesar de termos evitado com sucesso que o vírus chegasse até agora, nós, assim como todas as ilhas-nações que adotaram o mesmo passo drástico, não podemos manter as nossas fronteiras fechadas para sempre. Ilhas-nações podem parecer isoladas do resto do mundo, mas também estamos profundamente intrincados na economia global. Assim como o vírus não discrimina entre passaportes, a sua cura também não deveria", declarou.

Até esta sexta (29), os seguintes países já confirmaram participação na iniciativa:

África do Sul; Argentina ; Bangladesh: Barbados; Bélgica; Belize; Brasil; Butão; Chile; Costa Rica; Egito; El Salvador; Equador; Holanda; Honduras; Indonésia; Líbano; Luxemburgo; Malásia; Maldivas; México; Moçambique; Mongólia; Noruega; Omã; Palau; Panamá; Paquistão; Peru; Portugal; República Dominicana; São Vicente e Granadinas; Sudão; Timor Leste; Uruguai; Zimbábue.

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