Brasil estuda comprar trigo fora do Mercosul

Brasil estuda comprar trigo fora do Mercosul

Os moinhos de trigo do Brasil avaliam compras do cereal de origens de fora do Mercosul, incluindo Estados Unidos (EUA) e até Rússia, diante de uma escassez no mercado brasileiro e da crise na Argentina, que leva agricultores a segurar vendas do produto na expectativa de maiores ganhos, afirmou o presidente do grupo da indústria Abitrigo

Reuters - São Paulo

A Argentina, que normalmente supre a maior parte da necessidade de importação do Brasil, teve uma safra relativamente grande do cereal, de 18 milhões de toneladas em 2017/18, segundo dados do governo dos EUA (Usda). Mas o país vendeu muito para outros destinos que não o Brasil e, desde que a crise se acentuou, os argentinos passaram a adiar vendas na esperança de ganhar mais com a escalada do dólar frente ao peso.

Um maior interesse por compras de fora da Argentina por parte do Brasil, um dos maiores importadores globais de trigo, teria potencial de dar sustentação aos preços da commodity no mercado internacional, que atingiram um pico de quase três anos no início de maio, na bolsa de Chicago. “Tem uma escassez geral, a Abitrigo está preocupada com a situação do mercado.

Até o final do ano vai ter essa situação, a gente avalia que há ameaça de desabastecimento e, por isso, estamos examinando algumas medidas aqui”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o embaixador Rubens Barbosa, lembrando que os preços do cereal no mercado interno subiram 25% nos últimos 60 dias, com alta ainda maior na Argentina.

O Brasil está na entressafra de trigo, plantando a nova safra, após ter sofrido perdas consideráveis no ano passado.

A nova safra brasileira só estará pronta para uso, após ser colhida, no final de setembro, enquanto a Argentina, também na entressafra, só terá trigo novo em dezembro. Questionado se os moinhos brasileiros não poderiam ter se precavido, comprando mais trigo da Argentina anteriormente, Barbosa comentou que a situação econômica lá está problemática desde o começo do ano, o que limitou os negócios.

“A Argentina está vivendo essa dificuldade cambial, com a desvalorização do peso, inflação, desde janeiro. Isso afetou os negócios, sendo que aqueles que produzem seguraram o trigo para obter mais recursos. Quanto mais valorizar o dólar, mais eles ganham (em pesos), foi um problema conjuntural que complicou a situação aqui”, disse.

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