Brasil estima ganhos de R$ 500 bi em 15 anos no livre-comércio com UE

Brasil estima ganhos de R$ 500 bi em 15 anos no livre-comércio com UE

O Brasil terá um ganho acumulado, em termos de Produto Interno Bruto (PIB), da ordem de R$ 500 bilhões ao longo de 15 anos de redução progressiva das tarifas com o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Européia (UE), disse ao Valor o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz.

A soma representa metade do ganho esperado da reforma da Previdência e estimula a dinâmica das barganhas finais, em Bruxelas. Há um otimismo moderado dos dois lados. `O acordo trás ganhos efetivos, mas há questões pendentes a serem resolvidas`, ressalvou o secretário, que estará a partir de hoje em Bruxelas em negociações técnicas.

Pelas projeções de Lucas Ferraz, o Brasil poderá ter um aumento de 5% na corrente de comércio (exportações e importações) com o resto do mundo e de até 30% no fluxo com a União Européia 15 anos após a entrada em vigor do acordo, quando as alíquotas estarão eliminadas.

Os exportadores do Mercosul terão uma economia de R$ 2 bilhões também quando houver o livre-comércio após 15 anos de desgravação. Os exportadores europeus vão ganhar bem mais nesse caso, porque as alíquotas hoje são muito mais altas no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

O setor agrícola brasileiro é o que mais ganhará com o acordo, mas os benefícios serão importantes também para os segmentos de serviço e industrial, pelas projeções.

Para o secretário de Comércio Exterior, os ganhos intangíveis igualmente serão significativos. `O acordo mudará a imagem do Brasil, tornará o Mercosul mais atrativo e facilitará a conclusão de novos acordos`, avalia. `Estamos negociando um acordo moderno, de última geração, que coloca o Mercosul próximo das melhores práticas e terá impacto positivo também no processo de adesão do Brasil na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).`

Na Europa, a indústria comemora ganhos no Mercosul, enquanto o setor agrícola reclama que sofrerá perdas de 7 bilhões de euros (R$ 30,4 bilhões). Esta semana os líderes da França, Irlanda, Polônia e Bélgica juntaram forças para insistir que nenhum acordo deve ser concluído com cota maior de 99 mil toneladas para a carne bovina do Mercosul. Em reunião dos países membros, em Bruxelas, os quatro foram ignorados pela maioria dos que defendem o acordo, segundo fontes. Já a BusinessEurope, que representa o setor industrial europeu, enviou carta ao presidente da Comissão Européia ontem, insistindo que a UE não deve perder a oportunidade de ser o primeiro a ganhar vantagem num `mercado bastante fechado de mais de 260 milhões de consumidores`.

Para BusinessEurope, o acordo União Europeia-Mercosul `tem dimensão estratégica extremamente importante num momento em que o comércio internacional sofre com volatilidade e é afetado negativamente por protecionismo e medidas unilaterais`. Ao mesmo tempo, coloca as condições para o que chama de acordo equilibrado. Pede compromissos ambiciosos do Mercosul em serviços, compras governamentais, propriedade intelectual, corte das tarifas industriais, além de concessões em regras de origem, indicações geográficas, medidas sanitárias e fitossanitárias.

Quanto às movimentações de organizações não governamentais (ONGs) contra o acordo, alegando ameaça do governo Bolsonaro ao meio ambiente, entre outras questões, o secretário de Comércio Exterior retrucou que o Brasil é signatário do Acordo de Paris de combate a mudanças climáticas. (AM)

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