´Brasil é uma das boas oportunidades, mas não necessariamente a melhor´

´Brasil é uma das boas oportunidades, mas não necessariamente a melhor´

Em um ambiente de crescimento mundial modesto ejuros extremamente baixos, países como o Brasil ainda apresentam uma das melhores oportunidades aos investidores,

Mesmo que a taxa Selic tenha caído nos últimos anos até as mínimas históricas, a relação de risco e retorno combinada com a expectativa de crescimento econômico no próximo ano coloca o país na rota do investimento internacional. Sem uma recessão global no caminho, o que falta ao Brasil é prosseguir com a agenda de reformas e começar a entregar um avanço da atividade para que o fluxo externo possa retornar. A opinião é de James William Hirschmann, presidente mundial da gestora americana Western Asset.

Em passagem pelo Brasil na semana passada, `jim`, como é conhecido, falou com o Valorsobre a tese de investimentos no país e no mundo. E atesta: os investidores globais `estão sedentos por rentabilidade`. `Ainda estamos construtivos em Brasil, em linhas gerais, e vemos valor no mercado: dívida, ações e mesmo o real, que enfrentou uma volatilidade recente.`

Valor: Qual éa coisa mais importante para os investidores estrangeiros neste momento?

James William Hirschmann: Existe uma diferença entre o que os investidores de dívida e de ações buscam, mas acredito que a estabilidade política é uma questão muito relevan te, além do que se fala sobre crescimento econômico. As políticas não podem mudara todo momento, é preciso garantir uma visibilidade para um futuro de longo prazoe construirá confiança de que o país vai honrar suas dívidas e compromissos. É preciso ter confiança de que irá aplicar seus recursos em um país e conseguirá obter, num prazo maior, o retorno daquilo que foi investido. Há muito tempo não vejo um ambiente em que os juros são tão baixos e a perspectiva é a de que isso permaneça dessa forma. Esse é um ambiente favorável a investimentos, porque os agentes, de vários tipos, são forçados a tomar mais risco e repensar na sua alocação de recursos.

Valor: Qua/ diagnóstico a Western faz sobre a posição do Brasil, economicamente, em relação ao mundo hoje?

Hirschmann: Minha visão é a de que estamos vendo um momento de crescimento modesto no mundo. Não estamos vendo nenhuma inflação no horizonte, então os BCs devem continuar com uma política monetária acomodatícia por um tempo, para a qual não vemos mudança grande enquanto tivermos esses níveis de inflação. Se olhar para o índice de títulos soberanos globais, o ´yield´ [retorno] estã muito baixo. Nesse contexto, acreditamos que a oportunidade está em Brasil e em outros mercados emergentes. Nossa visão é bastante positiva e temos uma boa posição no país. Somos muito construtivos nesse momento, acreditamos que há sinais de oportunidade no ciclo de crédito e em produtos com yield elevado.

Valor: Mas o receio quanto ao crescimento do mundo não ofusca a tesede investimentos aqui?

Hirschmann: É verdade que ainda esperamos um crescimento muito moderado no mundo, embora um pouco melhor nos EUA. O maior risco é político, a guerra comercial [com a China J elevou a régua do risco e eu também citaria o Brexit como uma questão. Nos EUA, há um presidente que usa o Twitter de forma errática. Mas, como uma gestora global, nunca compramos a teoria de que haverá recessão, sempre tivemos uma idéia de médio prazo sobre o crescimento global, onde os EUA lideram a expansão. A Europa e o Japão estão de fato piores, mas não será uma recessão. Esse é o cenário base e é o motivo de estarmos construtivos com ativos de risco e emergentes, especialmente. Em um cenário de crescimento modesto, as taxas permanecerão baixas, sem pressão de in fiação. Essa é a chave e se traduz na atratividade dessa classe de ativos de risco.

Valor: Consitíerando que o Brasil está inserido num bloco de emergentes e países latino-americanos, que vêm enfrentando turbulências políticas e sociais, épossível imaginar algum tipo de contaminação?

Hirschmann: Quando analisamos se vamos investir ou não em um país, não estamos considerando que as coisas que acontecem no Chile ou Venezuela ou outro país vai ocorrer no Brasil também. Vemos que sempre tem esse medo de que haverá contaminação, mas analisamos individualmente. Nossa visão é que os mercados têm componentes idiossincráticos em cada país, no fim não deveríamos olhar para a América Latina como algo homogêneo. Há componentes que só valem para o Chile ou para Colômbia, alguns fatores que afetam especificamente em Brasil. A Western sempre tenta diferenciar os países na sua alocação.

Valor: E de que oportunidade estamos falando em Brasil?

Hirschmann: Ainda estamos confiantes com o Brasil em linhas gerais e vemos valor nos mercados locais no geral, dívida, ações e mesmo o real, que enfrentou uma volatilidade recente. Mas acreditamos que o mercado de ações é o que melhor tende a reagirao crescimento da economia, porque se houver recuperação e estamos esperando que ela venha no próximo ano há um componente de valorização para as ações que faz mu i to sentido e que não está p recificado ainda. Mas, se olhar para nosso portfólio global, verá boa exposição em Brasil no mercado de dívida também, porque ainda vemos que os yields nos mercados locais estão em um ponto atrativo se analisar os juros ao redor do mundo. Historicamente, (o atual nível da Selic) é muito baixo, mas, para um investidor global, eles olham para o Brasil de outra forma. Tem muita coisa com juro negativo por aí, então, apesar da queda dos juros, o Brasil é o país que ainda oferece boa alternativa de risco-retorno. Eu viajo ao redor do mundo visitando clientes e os investidores, particularmente os de Japão, Coréia e Europa, estão sedentos por retorno. Os produtos corporativos [crédito privado] com grau cie investimento têm sido bem populares. Mercados emergentes, como Brasil e México, oferecem yields muito atrativos relativamente ao que podemos encontrar ao redor do mundo. Um bom exemplo é que administramos um fundo no Brasil de varejo para investidores japoneses e, depois de vários anos, temos notado uma boa entrada de aportes.

Valor: O Brasií éo melhor mercado para se fazer investimentos entre os emergentes e a América Latina?

Hirschmann: O Brasil é uma parte importante do portfólio global, mas não seria justo dizer que é o melhor mercado. O país é uma das boas oportunidades, não necessariamente a melhor. Nos mercados emergentes, ainda temos alternativas na Ásia, por exemplo, enquanto em América Latina ainda temos visão positiva para o México. São os maiores mercados na América Latina, em que gostamos de operar.

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