Brasil e Rússia não são províncias dos EUA, diz embaixador

Brasil e Rússia não são províncias dos EUA, diz embaixador

O Brasil e a Rússia têm divergências sobre acrise venezuelana, mas devem c onversar entre si so bre o tema e não se comportar como `províncias dos Estados Unidos`.

Esse é o recado levado na terça-feira (25) pelo diretor do Departamento de América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Schetinin, para encontros no Itamaraty.

Schetinin foi embaixador na Argentina e trabalhou junto ã OEA {Organização dos Estados Americanos), instituição que vê `privatizada` para interesses de Washington.

Ele conversou com a Folha após uma palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, na terça, em São Paulo. Um foco de sua fala foi o apoio de Moscou à ditadura chavista na Venezuela.

Um momento inusitado ocorreu quando a chefe do escritório do Itamaraty em São Paulo, embaixadora Débora Barenboim, disse que Brasil e Rússia discordavam de temas regionais e, por isso, caberia perguntar se `os Brics ainda faziam sentido`.

Schetinin rememorou os mais de dez anos de relação do grupo, um acrônimo inglês para Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul. `Eu náo acho que as diferenças devam ser motivo para deixai` para trás o que se fez e o que se pode fazer. Um ditado francês fala que o melhor remédio para dor de cabeça é a guilhotina, mas eu acho que é melhor conversar`, respondeu.

Depois, afirmou, sem citar o governo Jair Bolsonaro (PSL): `O Brasil está condenado a ser um grande país. Sua postura é referência. Não sejam um país regular`.

A Folha perguntou a ele se oalinhamento proposto pelo Brasil aos interesses dosEUA não seria uma trava às negociações com a Rússia. `Acreditamos na cooperação`, afirmou.

´Além disso, acho que os países da América Latina, por serem mais antigos do que o sócio do norte, são mais sábios também`, disse, lembrando que o Brasil ê responsável por um terço do comércio russo com a região.

Sobre o apoio continuado à ditadura de Nicolás Maduro, que ao contrário do Brasil MOSCOU considera o governo legítimo em Caracas, Schetinin afirma que não há motivo para mudança.

`Maduro cometeu erros, claro. Mas pior são sanções que levama uma situaçãodecaos. Aí, o desgosto popular fica evidente. Mas a solução precisa ser dada por venezuelanos, náo estrangeiros`, afirmou.

Ele rechaça que Moscou tenha flexionado músculos militares ao enviar dois aviões com tropas e equipamentos para Caracas, há um mês, no auge dastensõesfronteiriças.

Mas não foi um sinal a Washington? `Tudo é um sinal só: a Venezuela tem um governo legítimo`.

Schetinin insistiu em sua palestra que os EUA violam o direito internacional na região. Não seria o mesmo na Crimeia, questionou o cônsul peruano Carlos Ortiz, sobre a península anexada por Vladimir Putin em 2014?

`Tudo começa com um golpe que derrubou um presidente legítimo na Ucrânia`, afirmou Schetinin, repetin do depois o mantra russo de que os crimeus fizeram uma esc olha soberana apesar de a ONU não reconhecer o plebiscito pelo qual se uniram a Moscou há cinco anos.

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